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Projecto X.2



[EXTRA] Devido às constantes sessões esgotadas as sessões são extendidas até 12 de Janeiro de 2001
De 14 a 29 de Dezembro pelas 21.45 horas de terça a domingo na sede do Teatro Plástico:
Rua Mouzinho da Silveira, 62-1º
Porto

Após a apresentação de "O Frigorífico", de Copi, encenado por João Paulo Costa; "Didascálias", de Israel Horovitz, encenado por São José Lapa; "S.E.X.O.", de vários autores, encenado por António Feio; "O Jogo Da Macaca", de Israel Horovitz, encenado por Virgílio Castelo; o ciclo "Crimes Exemplares", de Max Aub, encenado por João Paulo Costa (Parte I) e Olga Roriz (parte II); "Shopping and Fucking" de Mark Ravenhill, encenado por António Pires e "Projecto X" o TEATRO PLÁSTICO apresenta Projecto X.2.

Na sequência de um trabalho que vem questionando o papel e a importância da imagem na produção teatral contemporânea, Projecto X.2 constitui a segunda parte de um díptico (iniciado com a apresentação em Julho passado de "Projecto X") que pretende abordar o carácter predatório do olhar contemporâneo e representa uma reflexão sobre o poder e a natureza ilusiva das imagens. Pretende-se com este projecto radicalizar algumas das convenções, técnicas e géneros teatrais e levar às últimas consequências o acto de ver que está subjacente a todo o espectáculo. Numa produção de características singulares e inovadoras, que dilui (e amplia) fronteiras e põe em relevo a relação actor/espectador, espaço público/espaço privado.

A vida, vivêmo-la ; esquecemos pois o seu sabor. "Eu vivi muito tempo sem me dar conta disso", declara a personagem deste monólogo ao contar a sua história a um interlocutor imaginário. A história de um homem atingido por uma doença incurável, uma doença vergonhosa perante os outros, como se o amor e as suas consequências - ainda que trágicas - pudessem ter qualquer coisa de vergonhoso. É precisamente porque avista o fim que a sua vida se vai tornar preciosa, e, perante a incompreensão dos que lhe estão mais próximos, é na floresta que se vai refugiar.

Partindo do monólogo "A Mordaça" ("Le Bâillon") de Eric-Emmanuel Schmitt, um dos mais significativos autores franceses contemporâneos que, pela primeira vez, é representado em Portugal, a que se juntam textos de Stª Teresa de Àvila, Cyril Collard e Marcel Jouhandeau, este é "um espectáculo de PAGAR PARA VER". Sem convites nem convidados, este espectáculo de cariz performativo será realizado no local fechado e claustrofóbico de um espaço "não-teatral" (uma sala de uma casa - novamente na sede do Teatro Plástico, agora mais próximo, na sala das traseiras com o público no interior do espaço), levando às últimas consequências as relações entre actor e espectadores; tempo real e tempo teatral; imagem e acção, bem como o papel fundamental (e frequentemente negligenciado) do público na construção de todo o acto teatral.

Neste microcosmos da solidão contemporânea, um quarto onde ecoam as mais radicais solidões - a dos Santos, a dos loucos, a dos criminosos - "monologa-se". Neste espaço real e fantasmático e assombrado pela memória, um actor expõe-se totalmente. Nú perante o olhar dos espectadores que são convidados/desafiados a partilhar a mesma sala, a radical solidão do intérprete e a natureza esquizóide e voyeurista que todo o acto teatral encerra são postas em evidência. E o espectador é desafiado - como sempre na Arte. Como às vezes na vida.

Ao prolongar-se um novo modelo de apresentação este é, mais do que nunca, um espectáculo de risco onde se dá continuidade a um dos objectivos que, desde a formação desta companhia, sempre nos tem orientado: arriscar temática e formalmente e atingir o âmago da realidade, actuando sobre o tempo presente.

Nestes tempos da sensação instantânea que a "cultura tablóide" instituiu - esmagados pela técnica; entorpecidos pelos valores absolutos do mercado global; ameaçados por todas as inseguranças; cercados de imagens - resta-nos ver como única forma de sentir? Resta-nos o "Big Brother" como único entretém?

E não queremos todos nós, cada vez mais, ver tudo, de todos? Então, e novamente, "welcome to the show!"



A partir de "A Mordaça" de Eric-Emmanuel Schmitt
e textos de: Stª Teresa de Ávila, Marcel Jouhandeau; Cyril Collard

Tradução: José Paulo Moura
Dramaturgia e Encenação: Teatro Plástico
Interpretação: Nuno Cardoso
Espaço Cénico: Francisco Alves
Desenho de Luz: Ilda Nóbrega
Sonoplastia: Ricardo Serrano
Apoio Coreográfico: Maria Reis Lima
Execução Cenográfica: Dora Pereira
Projecto Fotográfico: Cristina Pinto (1ª Sem. 13/19 Nov), Júlio Roriz (2ª Sem. 20/26 Nov), João Tuna (3º Sem. 27/Nov 3/Dez), Susana Paiva (4º Sem. 4/10 Dez), Henrique Delgado (5ª Sem. 11/17 Dez)
Projecto de Artes Plásticas: Inês Lousinha, Galeria Canvas
Design Gráfico: Incomun Produção Executiva: Henrique Figueiredo, Catarina Portugal
Produção: Teatro Plástico



Uma coisa que eu nunca fiz foi questionar-me. Eu tinha um pai, uma mãe e não os julgava. Se me tivessem submetido a um interrogatório teria sem dúvida alguma respondido que tinha o melhor dos pais e a melhor das mães, porque era isso que eles diziam de si próprios.

A minha mãe chamava àquilo: as minhas febres. As minhas febres foram uma verdadeira felicidade para a minha mãe. Deram-lhe a oportunidade de exercer a sua bondade, a sua devoção, sentimentos novos de que ela parecia embriagar-se.

Ele disse-me que a morte me tinha escolhido para si. Que ela me dava pouco tempo, talvez ainda alguns meses.

Está-me a ouvir? Está a aborrecer-se?... normal! Mas aqui habituamo-nos a tudo, até ao tédio. Digamos antes que não temos pontos de referÍncia, como não se passa nada!

Voltei para casa e disse-lhes, calmamente, aos meus pais, com uma voz lenta, uma voz colocada que não me conhecia, uma voz quase sábia! disse-lhes...

Quando levava os animais para a serra, no Verão, e quando colhia por lá o feno, já várias vezes tinha encontrado o homem. Ele era lenhador, mas alugava-nos os seus braços quando colhíamos o feno...

De todas as vezes, quando nos tínhamos esgotado um no outro, eu aninhava-me contra o seu peito, como quando era pequeno com a minha mãe.

Foi sob os olhos deles que fiquei doente. Proibiam-me de sair e quando, de manhã, me olhavam, procuravam as derrotas da noite,...

Por vezes eu gritava; não era de medo - eu não tenho imaginação - era o corpo que gritava, o animal estúpido em mim, a boca que faz um esgar, os pêlos que se levantam, e a minha pele a suar sob o arranhão dos arrepios.

Está a ver o senhor, desde que estou aqui as coisas nunca mais correram bem. Sofro. Porque o mal não é a dor - não, isso é uma ideia de veterinário - o mal, é a imaginação!

 
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