Prosa - Choro por uma Sociedade Aberta (PortugalGay.pt)
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Choro por uma Sociedade Aberta

Out 2001

Choro e eu bem sei porquê
Vivo numa sociedade que se diz aberta
Mas na verdade não é
É sim um sociedade racista e fechada
Porque se não eu não chorava.


Choro no meu quarto para ninguém ver
Choro por ideais insociais
Choro por causa dos preconceitos que tem a minha sociedade
Sociedade este que se diz aberta
Mas se fosse aberta eu não chorava


Eu sou o que eles querem que eu seja
Por isso choro
Sou o que não sou
E só não sou o que verdadeiramente sou
Porque não me deixariam ser


Tenho dezassete anos perdidos
E muitos mais para perder
A culpa é da sociedade que diz ser aberta
Mas na verdade não o é


Vivo na esperança da sociedade mudar
Se não houvesse esperança já estava morto
Mas morto já eu sou
Só falta fisicamente


Vivo num quarto fechado
Para chorar a Deus
Pois só ele me compreende
E por incrível que pareça
A sociedade religiosa é quem mais repreende.


Justiça imploro eu aos políticos mas
A estes só a maioria vale
Mas onde estás tu Democracia?
Que não te vejo
Vem cá para Portugal
Para eu sair desta fobia


Morro numa sociedade que se diz aberta
Mas não o é porque se fosse eu não morreria




Sou o que os outros querem
Que eu seja e por isso
Morro num quarto
Distante e fechado
Distante e fechado com a sociedade


Choro já sem lagrimas
Porque estas já secaram
Choro e morro ao mesmo tempo
Que é muito pior do que morrer fisicamente

Sou um jovem vazio, oco
Já não tenho nada
Só me falta morrer
E que morte dolorosa esta
Não a desejo nem ao meu pior inimigo
Inimigo este que é sem duvida
As pessoas que fazem a sociedade assim
Mesquinha, hipócrita,
Hoje em dia falasse muito de solidariedade
Mas até disso eu ando à procura, pois não a encontro


Morro por não poder dizer
Quem sou eu realmente


Sou gay ou homossexual
Mas se a sociedade soubesse me chamaria
De outra coisa como paneleiro, bicha, tarado ou ainda é doido mental, etc...


É por isso que choro e morro,
É por isto que luto,
É por isto que fujo para o meu quarto,
E o fecho para parecer um caixão.


Eu sei que isto não rima
Mas a minha vida toda nunca me rimou
Não haveria de ser agora que rimava
Eu acho que só conseguirei rimar
Quando a sociedade mudar.


Choro para não morrer
E morro porque vivo numa sociedade racista e fechada.

G. Encarnação
 

Choro por uma Sociedade Aberta

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