por portugalgay
domingo, 05 Setembro 2010 19:20
Conheci um rapaz de 24 anos em 2006. Foi amor há primeira vista. Dois meses depois ele descobriu que era seropositivo. Contou-me imediatamente. Claro que fiquei chocado, mais pelo facto de estar pouco ou nada informado, e pensar que ele me ia morrer brevemente. Tenho muitos amigos médicos e todos me informaram que hoje ter hiv é o mesmo que ter uma doença crónica.
O meu amor por ele redobrou. Se já estava ao seu lado, passei a estar ainda mais. Passados quase cinco anos, namoramos, ele conhece a minha família e os meus amigos; eu conheço alguns dos seus amigos. Ainda não vivemos juntos mas viajamos amiude, às vezes mesmo com a minha família. Ninguém das minhas relações familiares ou de amizade sabe que ele é hiv+, não porque seja preconceito para mim, mas porque é um assunto da sua privacidade. Ele está bem: carga viral indetectável, DC4 dentro da maior normalidade. É uma pessoa alegre, tem um óptimo aspecto, e eu, desde que o conheci e por ele me apaixonei, sou muito melhor para mim, para ele e para as outras pessoas.
Claro que tomamos as devidas precauções quando fazemos amor, mas nem por isso nos sentimos limitados: queromo-nos bem mutuamente e isso faz-nos muito felizes.
Apaixonei-me por um seropositivo como me podia ter apaixonado por um diabético - que também tem de tomar medicação toda a vida e que, controlado, tem uma vida longa, feliz e sem complicações.
O meu testemunho vem no sentido de desmistificar e «despreconceitualizar» uma realidade que tem de ser encarada e vivida com a maior normalidade e serenidade.
Um abraço.
Manuel