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por portugalgay quarta-feira, 06 Setembro 2006 11:39
Tenho 42 anos, sou HIV+ desde 93. Quando o comuniquei a minha família, a atitude da minha mãe foi perguntar-me o que queria para almoço... O meu pai nem tocou no assunto. Se eles toda a vida tinham estado ausentes, a partir dai além da ausência, começou o desprezo. Há vários anos que estou sozinho, e cada vez me interrogo mais que faço eu por cá, nada na vida ( a que tenho tido nos últimos anos) me motiva para cá continuar, e não é pelo facto de ter a doença, mas sim pelo que a minha vida é. Alguém conhece um método fácil e INFALÍVEL para me eutanasiar? Não quero sofrer mais, nem física nem psicologicamente. Há já algum tempo para cá, tenho-me tratado bastante mal, na esperança de que a doença me levasse, pois não tenho tido coragem para cometer suicídio. Mas até nisso tenho azar. O ano passado estive quase a ir para o "outro lado", mas por azar ainda cá fiquei....mas um dia vai acabar, e espero que não demore muito. A solidão é horrível. O cinismo da família insuportável. Se existe um inferno, é lá onde eu vivo. Dor, frustração, angustia, solidão, são os únicos amigos que tenho. Não aguento mais. Sinto-me perdido neste mundo, e assustado, e não consigo sair do buraco em que se transformou o que devia ser o meu lar, a minha casa, mas é somente o refúgio onde me escondo e protejo do mundo. Provavelmente quem ler isto vai pensar "olha um armado em coitadinho"... de certa forma é verdade, a autopiedade consome-me a alma, mas olho à minha vida e não vejo nada de bom, só vejo um frustrado falhado que nada consegue fazer da vida, é esta a minha realidade. Desculpem-me por não transmitir nenhum optimismo, esperança e essas coisas positivas onde uma pessoa se deve apoiar, mas se o fizesse não estava a ser verdadeiro. Abraço a todos os que lerem isto e peço-vos desculpa pelo tempo que vos fiz perder a ler estas linhas. Até mais!

anónimo

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