Olá, amigos...
Estou aqui para lhes contar a minha história, mas não esperem um tom melancólico e resignado nas minhas palavras pois, acreditem, a história só tem um final triste se a gente quiser assim...
Pois bem, sou brasileiro, 31 anos, nissei. Atualmente moro no japão e me descobri soropositivo há 6 anos, é claro que não dei pulos de alegria com o facto, e é bem verdade que foi difícil no começo, mas menos doloroso do que eu imaginava.
Fui contaminado por um ex-namorado que por sua vez perdeu o seu companheiro que desistiu de viver depois que soube estar infectado. O começo foi como o que se espera ser, lágrimas de tristeza, autopiedade, sofrimento dos entes queridos e é claro... aquela rotina entre hospitais e medicações torturantes. Mas é claro que Deus nunca nos dá um peso maior do que possamos carregar e no meu caso tive muita ajuda... ajuda dos irmãos, dos amigos da faculdade, do meu ex-namorado, que se tornou meu melhor amigo, da minha terapeuta e melhor amiga e sobretudo de um anjo, que conheci há 5 anos e que tem estado do meu lado desde então.
Mas muitos devem estar se perguntando... o que esse maluco foi fazer do outro lado do mundo e ainda mais estando doente???
De facto eu sei que sofro de uma doenca crónica. Sei que optei pelo imprevisivel, mas acima de tudo estou feliz. Tomei o AZT e o DDI (10 comprimidos por dia) por um ano e depois o meu médico disse para eu parar, aqueles que já passaram por isso sabem o quanto é torturante... você pode estar diante de sua comida predileta e a única coisa que sente é enjoo, seus dedos doem e você só quer ficar deitado, mas ainda assim tem a opção de arregaçar as mangas e renascer e quem sabe ser até mais feliz do que antes, e foi o que eu fiz.
Entrei numa terapia breve, onde conheci a minha amiga terapeuta, e passei a me amar, mais e mais, a cada dia, a cada minuto... eu sei que pode parecer cliché... quem nunca ouviu a frase... você precisa se amar para ser amado... pois é assim mesmo, e foi aí que eu conheci o grande amor da minha vida, nos encontramos num domingo, numa disco em São Paulo, nos beijamos, e logo no primeiro dia, deitado com a cabeça em seu colo, revelei a minha condição, ele entao me beijou e disse: "O que você esperava? Que eu saisse correndo, eu te amo e vou te amar para sempre..." e é assim até hoje, ele tem 26 anos, não é portador e mora no Brasil, nos falamos toda a semana por telefone e diariamente por email e messenger. Todos os dias quando acordo para ir trabalhar (tenho dois empregos), tenho que olhar para o monte Fuji e é como se ele estivesse ali para me mostrar o quanto a vida pode ser feliz e normal, mesmo diante de uma ameaça eminente... é claro que nao recomendo a ninguém abandonar tratamentos e viver ao sabor do vento... eu só faco isso porque sinto essa forca dentro de mim. Contei toda essa historia para mostrar que cada um tem a sua forma de encarar esse "terrivel" destino, essa doenca "fatal" esse fado que vai te "afastar do grande amor da sua vida..." tudo isso pode ser verdade, mas só se voce quiser.
adq70410@odn.ne.jp