por portugalgay
domingo, 25 Setembro 2005 04:52
É impressionante como em horas de aperto qualquer humano esquece as eventuais superioridades e rapidamente se identifica com testemunhos que alimentem a sua réstia de esperança em algo que até então possivelmente repugnavam.
Não é o meu caso certamente, pois considero-me dentro dos possiveis livre de preconceitos (porque queiramos quer não, todos os temos ou fazemos), sinto-me liberta de atitudes descriminatórias e quase que por instinto me alio ao mais fraco, precisamente por achar que neste mundo e nesta merda de sociedade vai tudo atrás do facilitismo e é certo que é mais fácil criticar do que aceitar e eu opto pela diferença - pela aceitação dos outros, que não são menos que eu.
Gostava, pois claro, que toda a gente percebesse o que é de caras e que de facto interiorizassem a hipocrisia que é passar do estado de superioridade para o de igualdade em horas de aperto.
Na semana passada(salvo o erro) liguei a televisão e assisti perplexa ao depoimento de uma colega minha (com quem n tenho a minima confiança, do curso de psicologia imaginem!!) que estava na manifestação antigay e dizia ela convictamente que "80% dos homossexuais são pedófilos", o que me deixou boquiaberta.
1º porque: é preciso ser-se muito ignorante;
2º porque: os extremos limitam os horizontes e,
3º porque pelo amor do que é mais sagrado essa alminha quer ser psicóloga;
Imagine-se agora como será o profissionalismo dela quando a xenofobia e homofobia está instalada até à ponta dos cabelos. Dei este exemplo porque foi o que me ocorreu, mas tudo para salientar que é este género de pessoas que (aposto) em horas de aperto esquecem as radicalidades e se for preciso ainda se choram como vítimas de uma sociedade sem escrúpulos.
Haja paciência para tão pouca inteligência, como diz o outro. Deixem-me que vos diga que estou muito mais calma do que quando comecei a escrever. Faz-me bem pensar as coisas e faz-me ainda melhor poder partilhá-las. Tudo começou com uma pesquisa minha em relação ao HIV... não que não saiba o que é, porque sei, mas por me sentir inquieta.
Há uns anos atrás cometi a loucura de ter uma relação sexual ocasional sem utilizar o preservativo e hoje para além disso me pesar imenso na consciência (não sou assim tão velha mas a maturidade é outra), volta não volta, sou avassalada pelo medo de estar infectada. Quero fazer o teste, pois sei que é pior viver na incerteza, mas tremo só de pensar na hipótese do resultado ser positivo. Óbvio que o meu 1º pensamento é: a minha vida está acabada. Eu, que tenho tantos sonhos, que adoro viver, que tenho como conduta humana a igualdade de direitos, que tenho tanta vontade de ser mãe, que quero envelhecer ao lado do meu namorado, etc, etc. Eu, igual a tantos outros...
Com os comentários aqui deixados tive mais uma vez certeza que é na base da solidariedade e compreensão que todos deveríamos viver. Força a todos os que continuam agarrados à vida com unhas e dentes e... sei lá, força a mim para acabar com esta dúvida de uma vez por todas.
Cumprimentos.
anónima
por portugalgay
quarta-feira, 14 Setembro 2005 17:28
Sofrendo por antecipação ? Quase certo que não =( . . Sou um rapaz 16 anos e há bem pco tempo iniciei a mh vida sexual homosexual. Pretecção perguntam vcs, usei evidentemente, mas parece que é pouco =\ . . Pode ser um bocado prematuro estar praqui a falar sobre tudo isto, mas a verdade é que os tais sintomas da "fase aguda" têm se verificado. Já liguei para a linha sida, e a resposta que a telefonista me disse foi que não podíamos associar estes sintomas (febre, diarreia, dores nas articulações, garganta inflamada, cansaço) ao hiv porque nunca era certo. Bastou apenas sexo oral sem protecção e enfim, tou desesperado ? Tou mesmo! =( . . Não sei o que fazer, o que pensar, e agora estes próximos 3 meses vão ser angústiantes, até fazer os testes que sinceramente .... =( . . Tou muito assustado, a bem dizer, tenho 16 anos, mas la xtá, isto nao escolhe pessoas e mt menos idd's =| . . Posso estar a sofrer por antecipação, mas a vdd é que eu raramente tenho febre, inda por mais no verão, e de um momento po outro, todos aqueles sintomas, tudo batendo certo =SS . . Desculpem lá tudo, apenas um desabafo.
email não publicado
por portugalgay
quinta-feira, 08 Setembro 2005 00:17
Olá pessoal. Há cerca de 2 anos apanhei uma doença sexualmente transmissível que se revelou ser clamídea. Um antibiótico resolveu esse problema de forma quase instantânea. Contudo os testes a outras DST’s, que fiz por conselho do médico, revelaram um problema bem mais grave: infecção pelo HIV. Mesmo sabendo que as hipóteses de um falso positivo neste teste eram escassas ainda me agarrei a essa ténue esperança que se revelou infundada: o teste seguinte confirmou o veredicto. Parecia que o mundo desabava sobre a minha cabeça, valeu o apoio e os esclarecimentos dos técnicos de saúde da Lapa. Análises complementares revelaram já algum estrago no sistema imunitário, pelo que fui encaminhado a uma consulta de especialidade a fim de iniciar tratamento com anti-retrovirais. A resposta do organismo a um dos fármacos utilizados, o AZT, foi violentíssima pelo que dias depois teve de ser substituído. A actual combinação felizmente foi eficaz e não tem causado quaisquer efeitos secundários. A carga viral tornou-se indetectável e o nº de CD4 subiu, estando agora em 380. Aconselho a todos os que já tiveram comportamentos de risco a fazerem o teste: é importante iniciar o tratamento quando o sistema imunitário não está ainda demasiado comprometido. Conhecer o nosso estado serológico permite-nos também proteger as pessoas com quem nos envolvemos. Por último não esqueçam a mensagem da prevenção: Não acontece só aos outros ou aos mais promíscuos – Basta facilitar uma vez. A Sida existe, os tratamentos podem melhorar a qualidade de vida mas não a garantem nem são de forma alguma uma cura.
Seropositivo de Lisboa