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Democracia?

por portugalgay sexta-feira, 16 Fevereiro 2001 11:52

Como homossexual e seropositivo assumido, ainda que não seja associado em qualquer organização homossexual ou filiado em qualquer partido político, não pude deixar de estar atento ao assunto do momento (dia 14/02) da cena política nacional, como seja o debate das várias propostas apresentadas pelos vários quadrantes políticos, no sentido de garantir legalmente direitos e deveres a uniões de facto menos comuns (segundo uns) e um regime de economia comum (segundo outros)... Neste sentido não consegui evitar este desabafo que espero entendam como tal e se de algum modo estiver equivocado ou mostrar ignorância... que me desculpem os eventuais visados. Achei profundamente louvável que o PSD tenha feito representar a sua posição à comunicação social, pela senhora deputada (escapa-me o nome da digníssima senhora), pois não poderia ter sido mais elucidativa... pergunto-me de onde terá saído esta senhora, com a concepção retrograda de moralidade que evidenciou, deve ter descido do mundo divino para colocar juízo nestes pobres terráqueos pecadores... enfim, pior cego não é aquele que não vê, mas aquele que teima em limitar a sua visão para o seu conceito de realidade social, o que apesar da minha idade me relembra um pouco do muito que foi o antigo regime. Depois chega a esquerda... esta sim, com vontade política de mudança: senão veja-se, o partido do governo apresenta uma proposta de economia comum, quanto a mim lícita na medida em que salvaguarda situações até aqui esquecidas, senão vejamos um exemplo prático: Um doente com SIDA, que por ironia do destino se vê limitado a uma reforma de miséria e ter que depender dos progenitores. Não será correcto salvaguardar esta situação fiscalmente?! afinal se os mesmos progenitores têm a seu encargo o filho é mais do que justo que este seja considerado fiscalmente como dependente deles mesmos... ao invés de cada um dos contribuintes declarar um rendimento e despesas, que na prática, não se processam desse modo... este é um exemplo entre tantos outros, que poderiam aqui ser referidos.... O que é lamentável nesta proposta, é que este regime de economia comum pretende somente ser politicamente correcto, pois é ainda muito complicado salvaguardar (por escrito) nesta definição, as uniões de facto entre pessoas de um mesmo sexo, isso seria admitir legalmente que elas existem e claro a hipocrisia do sistema não o permite. Assim, a meu ver esta seria até uma excelente proposta partindo do principio que alargasse o conceito de uniões de facto aos homossexuais, salvaguardando-o na lei. Depois, há algo que ainda me confunde e creio que confunde também imensa gente neste país, sendo a comunidade homossexual uma minoria, o que é inegável, ainda não percebi bem a razão da luta das organizações homossexuais, é pela igualdade ou pelo direito à diferença?? Não é pretensão de uma democracia a igualdade na diferença?? Realmente, neste caso reconheço que me sinto bastante confuso. Para terminar e na sequência de tudo isto, achei por bem e de modo a perceber melhor tudo o que se está a passar, assistir ao programa "Noites Marcianas" transmitido pela SIC na mesma noite (dia 14)... onde se pretendia de um modo informal e "relaxado" discutir o assunto do dia e foi com grande espanto que ouvi um homem de ciência e da panorâmica cultural deste país, o Sr. Dr. Eduardo Barroso referir que a homossexualidade é uma opção implicando obrigatoriamente a diferença, logo, segundo o douto senhor, a luta pela igualdade de direitos (sim, porque a igualdade de deveres... essa sempre conviu ao Estado salvaguardar) não tem qualquer sentido, já que a diferença foi uma opção... permita-me o douto senhor lembrar-lhe que a homossexualidade é uma orientação sexual e a opção reside somente na capacidade e vontade de a assumir, ou de viver recalcando o nosso íntimo. Afinal, a conotação da homossexualidade como doença já há muito foi ultrapassada pela ciência, mas ainda não se conseguiu concluir que é homossexual aquele que o quer ser, ou porque considere "giro" ou até mesmo fashion... o homossexual é como o heterossexual o resultado de factores genéticos, onde a educação e formação poderá ter tido papel preponderante, mas nunca decisivo.
Obrigado

foucault@net.sapo.pt

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por portugalgay sexta-feira, 09 Fevereiro 2001 11:51
Se conheço alguém seropositivo? Conheço imensos. Conheço os que assumem que o são, e conheço, certamente, muitos que não dizem que são.
Eu também sou. Sou-o há imensos anos.
A minha seropositividade às vezes uso-a como um instrumento prático para me desembaraçar de quem não me interessa. Por ex., um tipo não desgruda de mim; estou encostado à barra do balcão do decadente Trumps, apenas lhe digo "Sabes, sou seropositivo..." remédio santo, o tipo fica muito atrapalhado, murmura uma desculpa tipo "bom, vemo-nos por aí" e some-se. Posso até contar uma história interessante. Interessante no sentido de desvendar mentalidades. Um dia um jovenzinho universitário piscou-me o olho na casa de banho do Forum Picoas (velhos tempos). Era o tipo de puto que não me interessava logo à partida. Mas era muito simpático e culto. Finalista de História da Arte. Encontrámo-nos várias vezes, até que o dito cujo se decidiu a ir a minha casa. Quando chegou a noite disse-lhe que tudo bem, mas que não queria ter sexo com ele. Tá bem, pas de probleme Eu já sabia que era VIH+, mas não lhe disse nada, porque não ira curtir nenhuma. Simplesmente, aí um ano depois apeteceu-me contar-lhe sobre a minha infecção. No fim perguntei-lhe, "então agora, meu, ainda estás interessado em ir para a cama comigo?" Foi sincero e disse que não. Argumentei que um ano antes eu já era, simplesmente ele não sabia nada. Respondeu que o importante é não saber. Altamente realista, não acham?
Relativamente ao facto de ser VIH+, a minha vida é afectada por isso, mas eu não me deixo ir abaixo e sempre que estou interessado num fulano, conto-lhe logo o que se passa. Claro que levo com os pés. Contudo, nem sempre. Já cheguei mesmo a ter um namorado, que, por acaso também era. Mais do que isso, ele foi o homem que fisicamente mais me agradou na minha vida, e que mais prazer me deu. Ainda hoje, que a nossa relação terminou, eu adoro tê-lo conhecido. Grandes noites, meus senhores...

Super Nova

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