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Ana Paula

por portugalgay domingo, 20 Junho 2010 03:58

Boa noite a todos, vim aqui contar minha experiencia de ter imaginado que eu poderia estar com HIV... Tenho 36 anos e sou casada, bom meu marido viajou e passou 2 anos fora do Brasil, nessa epoca que ele ficou fora eu tive varios relacionamentos, sem preservativo, pensava na aids mas achava que nao aconteceria comigo, meu marido resolveu que iriamos morar fora, entao tambem fui morar com ele fora do Brasil, como eu fiquei muito tempo sozinha na maior solidao, meu marido trabalhava e eu ficava em casa sozinha, ai bateu a neura, o arrependimento de tudo que tinha feito com ele , e achei que DEUS poderia te me castigado por tudo que havia feito com meu marido, entrei em depressao, chorava dia e noite, tive candidiase vaginal, ai que pensei que tinha contraido mesmo, tive herpes labial, tive garganta inflamada, tava convencida de que estava com HIV, foi quando eu me ajuelhei no chao pedi perdao a DEUS por tudo que havia feito de errado na vida, e fale! i com DEUS que eu queria uma nova chance para mudar de vida, mudar nao só em relaçao ao meu marido , mas mudar em tudo mesmo, relacionamento com as pessoas, parar de mentir, parar de desejar mal aos outro, tudo mesmo, nesse tempo eu comecei a ler a biblia, e confesso que fiquei realmente de boca aberta com tudo que li, até que vim pro brasil e resolvi fazer o exame, graças a DEUS deu negativo, ele realmente me ouviu e me deu uma nova chance, hoje eu temo a DEUS, peço sempre a ele que me ajude cada vez mais a melhorar, DEUS é tremendo, mesmo pros que deram positivo, recorra a DEUS , só ele pode ajudar a suportar essa dor. bjs em todos e se aproximem de DEUS, ele é um pai maravilhoso!

Ana Paula

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por portugalgay sexta-feira, 19 Fevereiro 2010 20:41
E hoje lá fui eu ao CAD da Lapa fazer o teste VIH...foram 3 meses de angústia e ansiedade. É impossível descrever a ansiedade que tive durante todo este tempo, em troca de escassos minutos de prazer. Dirigi-me ao CAD com a certeza que o resultado ia ser positivo, afinal envolvi-me em várias situações de risco. Quanto arrependimento! Só pensava porque é que arrisquei a minha saúde? Depois são todas aquelas perguntas que nos invadem a cabeça: e se for positivo, como será a minha vida, a quem devo contar? Devo sofrer no silêncio, não contar à família e amigos? Assim que cheguei ao CAD, lá falei com a psicóloga que me foi esclarecendo as dúvidas sobre o VIH. Depois foi a vez da picada para retirar sangue, e lá me pediram para esperar 30 minutos. Foram minutos de angústia, ansiedade, nervosismo.. Não sabia o que fazer. Fui dar uma volta mas sempre com a cabeça a mil à hora... Lá fui novamente para a sala de espera...poucos minutos depois a psióloga voltou a chamar-me para me dar o resultado. Entrei e ela pediu para fechar a porta e me sentar. Pronto, pensei eu, deu positivo de certeza. mas FELIZMENTE, deu não reactivo! Parecia que nascia de novo! Saí do CAD com uma vontade enorme de festejar a vida, de estar com as pessoas que amo e que me amam a mim, e que não mereciam tal traição da minha parte, no que toca à vida... Isto tudo para dizer o seguinte: escassos minutos de prazer não compensam em nada a ansiedade que se vive durante 3 meses à espera para se fazer o teste, e muito menos compensam o risco de se contrair esta maldita doença. A partir de agora não me envolverei em mais nenhuma situação de risco, aprendi sofrendo na pele a possibilidade de estar infectado. CUIDADO PESSOAL, o mais importante é a vida :)

pessoa anónima

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por portugalgay terça-feira, 30 Junho 2009 22:19
Olá,
Bom dia a todos. Venho postar o meu depoimento porque estou em choque desde segunda-feira quando fui fazer o exame do VIH, que por sua vez deu reactivo.
No momento faltou-me o chão, eu não sabia o que havia de fazer, estou em pânico.
Esta agendada uma 2ª análise para confirmação, mas desde o tal momento não consigo pensar em outra coisa a não ser neste assunto porque uma coisa é a pessoa ver a doença de fora e outra bem diferente é estar a vivê-la na própria pele.
Assim que terminei de falar com a doutora sai cabisbaixo com a necessidade de falar com alguém e com necessidade de chorar revoltado com tudo e com todos e em especial comigo.
Medo das reacções daqui em diante.
A primeira pessoa e única até agora além de mim e a minha mãe com quem falei abertamente sobre o assunto de possivelmente estar infectado, os primeiros segundos foram de total silêncio.
Então estava a caminho do trabalho a conduzir mas não consegui conter-me e desatei a chorar deste lado e ela do outro lado da linha telefónica a dizer para que eu tivesse calma que tudo iria resolver-se.
Estou no segundo dia desta aflição. A consulta é quinta-feira.
Choro a todo instante quando vejo imagens, videos ou depoimentos. Tudo relacionado sobre o VIH.
Estou a tentar minimizar o impacto desta notícia em minha vida mais digo nunca paseei por tal coisa e nem desejo a ninguém o que estou a sentir neste momento.
Mas como a vida contnua temos que aceitar a doença e conviver com ela de forma natural tendo consciência a partir daqui é um cuidado dobrado em relação a outras pessoas e ao USO DO PRESERVATIVO SEMPRE.
anónimo
(nota: para preservar a privacidade do autor as datas foram alteradas)

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por portugalgay terça-feira, 09 Junho 2009 10:51
ola!
gostaria de deixar o meu testemunho e desde já agradeço à administração deste sit, de dar esta oportunidade para as pessoas portadoras do vírus e não só, poderem expressar a sua opinião!
sou um rapaz de 25 anos e no ano passado descobri que sou hiv+, entre análises, momentos de pânico e de ansiedade descobri que tinha hiv.
desde então tudo foi diferente, lembro-me de ter chorado só no dia em que descobri. mas também lembro-me de pensar que nem tudo estava perdido e que eu ainda era jovem e tentei encarar tudo com uma dose de optimismo e assim o fiz, marquei a minha primeira consulta e desde então tem corrido tudo bem.
comecei a terapêutica tem 5 meses e um dos meu maiores medos que era sofrer de mudanças físicas com o início da terapêutica, acabou por não acontecer, hoje sou um rapaz normal e com uma vida normal! a minha médica está muito satisfeita com os meus resultados e eu também, mas nunca perco a esperança de que um dia vai haver cura para está doença que efecta milhões de pessoas!
queria aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos os que souberam da minha doença e que ficaram do meu lado e deram-me apoio, especialmente aos meus irmãos e amigos e também deixar uma mensagem de alento e de coragem as pessoas que enfrentam está doença pela primeira vez: nunca percam a esperança e acima de tudo nunca se deixem bater por este problema, façam tudo com calma, degrau a degrau e sempre com uma grande dose de optimismo!
aos que não são portadores também aproveito para deixar uma mensagem: usem sempre o preservativo e tomem as devidas precauções!
um grande abraço e força!
anónimo

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por portugalgay segunda-feira, 22 Dezembro 2008 02:13
Olá, sou seropositivo desde 2005, penso por mais que leia acerca do assunto, jamais me vou sentir esclarecido. Acho que até os que nos dão apoio fingem, mas na verdade a determinação é o ponto vital da coisa e sem ter força de viver não se sobrevive. Meus caros a confiança vem na base da desconfiança, quem confia questiona-se e ao questionar já está a desconfiar, por isso confiem sempre USANDO PRESERVATIVO.
anónimo

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por portugalgay domingo, 23 Novembro 2008 00:02
Boa noite. Sou um jovem de 30 anos, homosexual, residente no interior do país. Esta tarde fiquei sem o meu mundo, tudo ficou diferente, a vida mudou!! No final do mês fui de férias com o meu namorado e com um casal amigo, eu pensava que iria ser uma semana no paraíso, mas afinal foi uma semana muito mal passada cheia de febre e metido numa cama. Nada de grave, deve ser uma gripe pensava eu. Uma semana inteira com de febre e um extremo cansaço no corpo, parecia que me tinham batido, sentia o corpo todo "moido". Quando cheguei a Portugal fui de imediato ao hospital. Fiz vários exames e análises para ver de onde vinha esta febre. Fui medicado e fui para casa, aconselharam-me repouso. Dia após dia e melhoras nada. Voltei ao hospital e fui internado para observação. Duas noites de internamento e muito soro nas veias e as melhoras "aparentes" chegaram. Fiquei satisfeito por estar a melhorar e poder regressar a casa. Na semana passada tive que voltar ao hospital para repetir analises. Esta tarde fui à consulta para saber como estava o resultado, fui calmo e descontraido até porque não voltei a ter febre nem nenhum dos sintomas anteriores, sentia-me muito bem. Duas da tarde e lá estava eu com o meu namorado no hospital para ser consultado. Após uma conversa inicial talvez para preparar terreno foi me dito que havia um resultado menos bom numa da análises. BUMMMM!!! O confronto com uma nova realidade...agora sou seropositivo!!! Fiquei sem chão, tudo se desfez, o mundo acabou tudo em questão de segundos! Sinto-me um verdadeiro farrapo. Neste momento são quase 5 da manhã e não consigo dormir. Estou devastado por várias razões, uma é ter recebido esta terrível noticia a outra e mais grave é saber que possivelmente contaminei o meu namorado. Ele vai fazer analise na segunda feira. Não sei o que irá ser de mim, de nós...enfim sinto que nada mais faz sentido. Será que vale a pena viver? Que tipo de vida será esta? Tenho a cabeça a rebentar com tantas questões. Nunca senti medo e hoje é um sentimento constante! 
J.A.

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por portugalgay terça-feira, 21 Outubro 2008 00:09
Boa noite a todos, tal como tenho vindo a ler aqui eu também experienciei uma situação bem aflitiva, pois vi-me deparada com a realidade de poder estar infectada com HIV. De facto, andei numa neura durante quase dois meses e estava a enlouquecer, ao ponto de me matar por tanta ansiedade. Na verdade, o facto de ter tido um contacto na pele, fez-me prometer que, estivesse ou não infectada, iria servir-me da minha experiência para alertar as pessoas, principalmente as da minha faixa etária. Gostava que soubessem que nunca tinha tido momentos de tanta aflição e que durante dois meses poucas foram as horas que dormi, muitos os cigarros que fumei, tantas vezes as que chorei... Graças a Deus, fiz o teste e o resultado foi negativo, mas em dois meses envelheci imensos anos. Pensem bem naquilo que vos vou transmitir, não há nada, nada, nada mais importante no mundo do que a nossa saúde, PROTEJAM-SE sempre, não há relação sexual desprotegida, por muito boa que possa ser, que justifique momentos como os que eu passei. Comecei a encarar as pessoas portadoras de HIV de uma forma bem diferente, se dantes as via como doentes normais, agora vejo-as como pessoas que necessitam imenso do nosso apoio, dos esforços de todos nós e, acima de tudo, do nosso carinho. Um beijinho muito especial para todos aqueles que sofrem desta doença, mas que ganharam mais um ombro amigo para poder desabafar. Vocês merecem tudo de bom.
anónima

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por portugalgay domingo, 28 Setembro 2008 23:21
Boa noite. Hoje acabei de (re)ver o terceiro episódio de "Angels in America". Acho que é uma das coisas mais bonitas e fortes que vi em toda a minha vida. Há cerca de um ano não conseguia interpretar bem as notícias e todos aqueles anúncios sobre a questão da sida. Não que mudasse de canal ou simplesmente desligasse todos os meus sentidos. Achava, pura e simplesmente, que era algo que só poderia acontecer a outros que não eu ou as pessoas que me são mais próximas. Sempre fui um rapaz muito frio, que não liga muito a namoros e afins. Sempre passei grande parte dos meus dias a ler, a estudar e a fazer planos de viagem. No entanto, há cerca de um ano, conheci uma rapariga mais velha e comecei a sentir novamente a vontade de estar perto de alguém. Um dia, depois das férias de verão, combinámos um encontro no Porto. Sabia, à partida, que algo podia acontecer, já que iria dormir em casa dela, sítio onde estaríamos apenas os dois a ver filmes e a moldar a situação o melhor que conseguíssemos. Porque no fundo é disso que se trata. Passámos a nossa primeira noite juntos e o facto de termos preservativo não nos impediu de corrermos o risco de uma relação sexual desprotegida. Corria o primeiro minuto e senti imediatamente um arrepio em todo o corpo. O que estaria eu a fazer? Quem seria aquela pessoa que eu apenas conhecia de conversas esporádicas? ... Os dias passaram-se e com eles um imenso sentimento de culpa que se multiplicava à medida que recordava os conselhos da minha mãe e tia. Passei três meses de angústia. Não sabia o que corria dentro de mim. No fundo, comecei a pensar que era uma questão de sorte ou azar. Que o mal estava feito e que agora tudo não passaria de uma questão de sorte ou azar. Num dia de Novembro acordei, tomei o pequeno almoço, liguei a televisão sem conseguir prestar atenção a nada e saí de casa como que adivinhando uma vida nova. Entrei no CAD da Lapa e era o primeiro do dia. Fiz o teste, esperei os 30 minutos e voilà... deu-se a sorte imensa. Senti que nascia novamente. Caminhava por aquelas ruas entre a Lapa e a Estrela e o meu corpo parecia flutuar. Voltei a repetir o teste 3 meses depois (pura paranóia) e estava tudo bem. Finalmente podia descansar. A minha história não é muito diferente da maioria. É uma história de risco de alguém que começou a ver o problema com outros olhos. Sei agora que acontece a qualquer um e que a distância que vai de um HIV+ a um HIV- é uma distância que se materializa numa espécie de roleta russa. Serei eu? Serás tu? Seremos os dois? Aprendi muito com esta experiência. Aprendi que não podemos ter o mínimo deslize com quem quer que seja, por mais que gostemos dessa pessoa. Acredito que o amor protegido é um amor idêntico ao amor desmesurado de um primeiro encontro desprotegido. E se alguém nos fizer crer que não, então trata-se de alguém que não nos tem o devido respeito. No entanto, tal como no meu caso, não acharia justo culpabilizar a outra pessoa por um erro que só eu poderia ter evitado. Se tivesse dado positivo a culpa seria apenas minha, visto não ter optado pelo uso do preservativo. Acho que a diferença está apenas na força que devemos ter para resistir à ideia de que sexo apenas compensa quando desprovido de artifícios como o preservativo. Aprendi sobretudo a pensar que quero estar próximo daqueles que não tiveram a mesma sorte que eu. Quero dar-lhes o meu apoio. Aprendi que somos mesmo todos iguais e que estamos todos igualmente vulneráveis a esta situação de debilidade física. Gostava de dar um abraço sentido a todos aqueles que foram traídos por um acto menos reflectido e que precisam de todo o amor do Mundo. Gostaria também de dizer aos que correm os mesmos riscos, diariamente ou semanalmente, que não se esqueçam que, do outro lado, poderá estar uma pessoa que carece de toda a informação necessária para se estar um bocadinho mais atent@. Aos primeiros desejo uma vida tão feliz quanto sonharam e deverão continuar a sonhar... porque é possível e será cada vez mais. Aos segundos peço respeito e o verdadeiro amor pelo próximo. A minha é uma história mais feliz do que algumas que li neste vosso site. É mais uma história e um testemunho que quer deixar passar a ideia de que devemos fazer prevalecer o bom senso e usar protecção, seja em que circunstância for. Este não é um discurso paternalista nem nada que se pareça. Em última análise gostaria de dizer que os 3 meses de espera pelo teste não compensam, de todo, uma qualquer relação de risco, mesmo que seja a melhor experiência de sempre.
anónimo

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por portugalgay segunda-feira, 22 Setembro 2008 02:49
boas pessoal... queria deixar aki o meu testemunho poix sinceramente sinto-me na obrigação d o fazer... apesar de não ter kualker tendencia homosexual, n tenho kk problema em o fazer neste site poix acho k as barreiras sao para se quebrar e n para se saltar... a coisa de 3 meses e meio tive uma relação oral desprotegida com uma pessoa k n conhecia... tudo bem!!!... ate aki... OU NAO!!!!!!!!!! 2 semanas depois apreceram-me herpes na glande... nada de mais... OU NAO!!!!!!!!! o problema ----->> NAMORO.... e verdade... n me orgulho dakilo k fiz muito menos dakilo k n pensei enquanto o estava a fazer... 3 semanas dps a namorada começa a ter dores de cabaça, dores de garganta, espinhas na pele, cansaço, e fadiga muscular... PUM!!! o mundo desabou sobre mim... n keria acreditar nakilo k havia feito... restavame esperar e deseperar... lembrome d um dia ir na rua e olhava para as pessoa k por mim passavam e n parava d pensar no quanto eu gostava d ser tao saudavel kuanto elas... e verdade... estava a perder para o desespero... estava a perder a batalha da consciencia... 3 meses depois...fia o teste... NEGATIVO!!! todo akele sofrimento para k....!!?? a vida tem destas coisas... COINCIDENCIAS!!!! infelizmente em alguns coisas revelam-se mais do k isso... VIVAM CADA DIA COM O MAXIMO D PRAZER... Mais importante ainda... USEM PRESERVATIVO!!!! Boas... e força nixo...
anónimo

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por portugalgay sábado, 30 Agosto 2008 01:25
Depois de ler todos estes testemunhos, e de correr o risco de ser injusta com alguns deles, gostaria de mostrar o reverso da medalha. Fui casada durante 7 anos com um indivíduo que sempre me traiu (sei isso hoje), com todo o tipo de mulheres inclusive prostitutas de rua (a minha crítica não vai para as prostitutas, só as frequenta quem quer). Uma vez, dado o elevado número de infecções que contraía o meu médico disse que, o então meu marido, deveria fazer análises. O resultado foi sífilis. Depois de muita angústia, de uma decepção do tamanho do mundo, o casamento lá continuou, com promessas de fidelidade, com desconfianças... Passados 4 ou 5 anos o tempo tinha atenuado a dor da traição irresponsável. Já com 2 filhos, empregos estáveis, rendimentos razoáveis, nada fazia prever que ele voltasse ao mesmo tipo de comportamento. A minha desconfiança voltou, alertei-o várias vezes para o facto, nada fez mudar o seu comportamento. Uma tarde recebo um telefonema do laboratório a dizer que as análises do então meu marido tinham ido para Lisboa (confesso que embora soubesse que alguns laboratórios utilizam este método para nos alertar, não liguei, quando chegou do trabalho dei-lhe o recado). Passada uma semana, ele foi ao médico, eu fiquei à espera dele para irmos para a praia com as crianças. A demora foi grande, quando entrou em casa, disse-me que o médico queria falar comigo. A minha pergunta foi: estás infectado com HIV. Respondeu: não sei, não tenho a certeza. Pedi-lhe as análises, mas tinha retirado as referentes ao HIV. Tudo se desmoronou à minha volta. Disse-me que ia precisar muito da minha ajuda. Não respondi, tinha os meus filhos comigo. No dia seguinte, levei as crianças para o infantário e fui falar com o médico que confirmou as minhas suspeitas. Chorei, fui fazer análises, fui a casa falar com ele. Disse-lhe que não lhe perdoava tamanha traição, irresponsabilidade e mentiras que tinham construído um casamento de fachada. Pedi o divórcio. Chamou-me má, que eu não me lembrava que tinha filhos, que eu sabia que ele não gostava de usar preservativos e que o divórcio iria ser contencioso. Disse-lhe para fazer como quisesse, mas comigo já não vivia mais. Os meus avisos foram muitos, senti-me a jogar a roleta russa durante todo o casamento. Perguntei-lhe se ele tinha pensado nos filhos, se tinha pensado em mim quando teve relações comigo sabendo que estava infectado. Resposta: isso não interessa. Não interessa a quem? A mim ou a ele? Como é normal, nestes casos, fomos juntos à primeira consulta. Quando entrei, a médica disse-me “vocês parecem ser pessoas de bem e bem formadas”, chorei, contei todas as minhas desconfianças, inclusive que ele teria comportamentos homossexuais. A médica disse-me que quando passar esta sua dor “ajude-o que ele vai precisar, mas faça o que está a pensar, divorcie-se ele não vai mudar, não queira saber o passado dele, vamos esperar que não esteja infectada”. Quis Deus que a sorte me batesse à porta. Depois de um ano a fazer análises durmo hoje descansada. Mas o meu drama continua: como vão reagir os filhos quando souberem? Porque é que não aprendeu nada com a lição que a vida lhe deu, e presta pouca atenção aos filhos? Porque diz que não vai perder dinheiro de juros para operar a filha que tem 6 anos? Não me arrependo nem um pouco de me ter separado dele. Foi sempre um mentiroso e irresponsável. Nunca afastei os meus filhos da sua convivência, deixo-o entrar em minha casa porque os filhos gostam dele. Quando andou psicologicamente em baixo fui eu que telefonei para o hospital e falei com o médico para lhe ser dado apoio psicológico, não porque tivesse remorsos mas porque é um ser humano, e pai dos meus filhos. Com toda esta história apanhei uma depressão que ainda não consegui largar, sou mãe e pai ao mesmo tempo, pago as minhas consultas e os meus medicamentos. Muitos irão ficar chocados com o que vou dizer: porque tem ele medicamentos gratuitos e outros como ele se sabem perfeitamente os riscos que andam a correr? E os outros que ficaram infectados sem terem contribuído para tal? É isto ético? Não sei responder. Sei que passados 5 anos e apesar de várias oportunidades não consigo relacionar-me sexualmente, tal é o pânico e o nojo com que fiquei do pai dos meus filhos. Sei que nem todos os homens são iguais, mas o medo fala mais alto. Já não me sinto infeliz, tenho amigos com quem saio, faço uma vida normal. A ele não o odeio, mas não consigo nutrir qualquer tipo de sentimento. Quero que seja feliz, mas a felicidade dele não passa por mim. Só para terminar, gostaria de dizer que ele é um "felizardo": toda a família o apoia (5 irmãos), mas toda a família continua a fazer todas as vontades ao menino (ele é o mais novo). A todos os que estão infectados devido à irresponsabilidade dos outros muita coragem, a vossa vida pelo que leio pode ser normal e longa, aos outros que tenham igualmente coragem mas aprendam com a lição que a vida vos deu, sejam honestos e não propaguem o vírus. Este é um desabafo de quem tem uma perspectiva diferente. Também não é fácil estar do outro lado do problema.
anónima

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