Sangue, Insultos e Ciência

por portugalgay terça-feira, 21 Julho 2009 23:45

O Ministério da Saúde emitiu há dias uma missiva esclarecendo os deputados do Bloco de Esquerda que a exclusão na dádiva de sangue de homens que tivessem tido sexo com homens em Portugal era uma medida com o aval do governo e que advinha da “necessidade de garantir que os potenciais doadores não têm comportamentos de risco”.

Não posso deixar de exprimir a minha repulsa por este tipo de lógica invertida e insultuosa.

Insultuosa porque considera que um homem que tenha tido sexo com outro homem é de alguma forma inferior a um homem que não tenha tido sexo ou tenha tido sexo com milhares de mulheres.

Insultuosa porque ignora os verdadeiros comportamentos de risco concretos como ter múltiplos parceiros anónimos ou ter sexo anal desprotegido (que acontece muito mais vezes entre homens e mulheres do que entre homens) preferindo catalogar todos os homens que não oprimem a sua orientação sexual minoritária.

Insultuosa porque vem dar agora o dito por não dito: no passado o mesmo partido da Senhora Ministra veio a público dizer que não, que não havia nenhuma exclusão de homens que tivessem tido sexo com homens nas dádivas de sangue e que os casos reportados pelas associações eram coisas pontuais… vamos a ver e afinal a Senhora Ministra até está 100% a favor de tal medida.

Insultuosa porque alega não haver “qualquer discriminação fundada na orientação sexual dos potenciais doadores” tentando passar a ideia que a orientação sexual e a actividade sexual dos indivíduos são coisas completamente independentes.

Insultuosa porque ignora as recomendações internacionais de que cada país deve ter a sua própria política de triagem de doadores de sangue tendo em conta as suas próprias particularidades. Deve ser pela mesma razão que a Senhora Ministra ignora o facto de que em Espanha não há exclusão de homens que tem sexo com homens como doadores e pela mesma razão que ao ler a diretivas européias que recomendam políticas adequadas, a entende como uma ordem inequívoca para excluir homossexuais.

É importante haver uma política séria de triagem de doadores de sangue. É essencial garantir a segurança das pessoas que recebem dádivas de sangue.

Mas tal não se faz com políticas baseadas em preconceitos e sem fundamentação científica real que analisa as variáveis necessárias.

João Paulo
PortugalGay.pt

O cientista fez um teste com uma rã para ver em que situações a rã saltava.
Colocou a rã numa caixa e disse “rã salta!”, e ela saltou.
Cortou uma perna à rã e a rã mesmo assim saltou quando comandada.
Cortou outra perna à rã e a rã mesmo assim saltou quando comandada.
Cortou a 3ª perna à rã e a rã mesmo assim saltou só com uma pernita quando o cientista disse “rã salta!”.
Finalmente cortou a 4ª perna à rã e mesmo repetindo múltiplas vezes “rã salta!”, a rã não saiu do sítio.
Conclusão do “cientista”: rã sem pernas não ouve.