Estava numa reunião de trabalho com a Coordenação Nacional Luta Contra a Sida quando via telemóvel me chega a
notícia de que uma transexual de seu nome Gisberta havia sido assassinada no Porto.
A notícia vinha a ficar mais arrepiante quando tive acesso à informação que descrevia a forma barbara, com requintes de malvadez, da agressão que vitimou esta nossa “irmã”. Mas como se tudo isto não bastasse os autores desta cruel e requintada execução, eram demasiado jovens para se poder imaginar que de tal fossem capazes. Numa cidade como o Porto, uma cidade acolhedora, de gente de trabalho, um grupo de jovens educados por uma instituição Cristã/Católica, levaram acabo a façanha de pontapear; espancar; queimar; dilacerar, e por fim afogar um ser humano. Estaríamos longe de imaginar que tal pudesse acontecer mas a verdade é que aconteceu e a Gisberta não está mais entre nós. Partiu deste mundo por um acto “inquisidor” que pune algumas diferenças e entre elas os mais desprovidos das suas faculdades, físicas, a Gisberta já vitima de, amores e desamores, de uma sociedade que mal trata os seus, e de um vicio que a levou a viver na rua, agonizou as suas ultimas horas de vida devido a um acto sanguinário perpetrado por jovens que deviam estar a jogar á bola, a correr em volta da escola ou a estudar.
Não vou apontar o dedo nem á instituição que os educava, nem aos jovens, nem à Justiça Portuguesa, porque nesta altura não sei de quem é a culpa, de certo será de todos nós e também minha, porque não se compreende que os autores morais e materiais desta acção saiam impunes, continuando as suas vidas como se nada se tivesse passado, como se a vida de um ser humano nada valesse, e ao mesmo tempo outros beneficiem de “créditos” estatais.
Quem foi de forma cruel e desumanamente assassinada não foi a Gisberta! Foi sim, a “irmã” do Senhor Primeiro-ministro, foi a “irmã” de Sua Excª Dom Policarpo, foi a “irmã” de cada um de nós! Hoje foi a Gisberta porque era uma Transexual. Amanha porque se é preto, depois porque se é deficiente, ou porque se é seguidor de uma religião diferente.
Assim impunemente se matou, e triste e lamentavelmente se ignorou a vida de um ser humano.
O sangue da Gisberta e a sua agonia está hoje nos cálices de cada um, bebam para remissão dos pecados, os mesmos pelos quais seremos todos (os crentes) julgados no dia do juízo final.
João Paulo