Curtas Metragens e uma Longa Viagem

por portugalgay terça-feira, 22 Setembro 2009 23:53

Hoje começamos por um conjunto de curtas que estão em competição e numa selecção que captou a minha atenção do primeiro ao último. O primeiro filme mostra-nos o quanto difícil é a vida de um homossexual como pessoa de fé. E como é viver essa fé num ambiente hostil onde a religião pesa segundo dogmas que aprisionam aqueles que, segundo a interpretação de alguns sobre os escritos faz da sua orientação sexual um acto abominável, são "desrespeitadores da religião". Isso dá-se com a fé católica, mas este filme mostra algo mais dramático, e fundamentalista. O jugo da religião muçulmana castra aqueles que embora homossexuais são homens de fé, e que sentem por demasiadas vezes se sentem culpados de amar.

Neste filme, essa culpa desvanece-se quando a pessoa descobre que a sua fé por Deus não é incompatível com o Amor, seja ele por quem for.

James
Segue-se “James”, um miúdo inteligente, com cerca de 13 anos que se sente atraído por pessoas do mesmo sexo, e nos regressos a casa passa por uma casa de banho pública. Numa dessas passagens conhece um homem muito mais velho na casa dos cinquenta, com quem tem uma primeira conversa mas que o medo do novo, o faz fugir. Por não ter um ambiente familiar propício, embora sua mãe até se mostre preocupada com o seu silêncio, ele procura alguém para conversar e poder desabafar e procura no seu professor essa personagem. Mas o professor, ou por não se sentir à vontade com o assunto, ou por uma outra razão que não é perceptível no filme, deixa-o na sala sozinho, depois deste ter aberto o seu coração e clamar por alguém que o escute… como não obteve resposta ele sai da escola e procura o mesmo homem que tinha conhecido na casa de banho pública e entra directo no seu carro pedindo-lhe para o levar para algum lado… e desta forma ficamos com a ideia que o jovem reprimido, sozinho, sem apoio, irá iniciar a sua vida sexual... ou talvez não pois o filme acaba aqui.


Tanjong Rhu
“Tanjong Rhu”, foi o “senhor” que se seguiu: os encontros clandestinos de um parque que serve de zona de engate entre homens homossexuais prosseguidos pelas autoridades de Singapura, que se fazem passar por homossexuais para capturarem os interessados. Neste processo a personagem principal do filme perde alguém que numa noite conhecera ali. Depois de uma rusga efectuada pela policia, doze homens são presos e sentenciados com pena de prisão e vergastadas. Um filme que mostra que algures neste mundo ainda existe uns quantos países onde homossexuais mais que prosseguidos pela sociedade são punidos pela lei do estado.

Yo Sólo Miro
Se viver num país cuja lei nos prossegue é terrível, viver uma mentira por causa de uma sociedade que gosta de entrar na casa e na cama do vizinho, é ainda pior. É isso que mostra o filme “Yo Sólo Miro”: um casal que vive a monotonia de um casamento longo, até que a mulher, na preparação de uma viagem de trabalho do marido, descobre escondidas umas cassetes de vídeo de filmes homossexuais… tenta com algumas dicas que o marido lhe diga algo, mas não funciona. Quando ele volta da viagem ela pergunta se esta tudo bem, e numa resposta vaga, ela pergunta porque ele nunca lhe lhe falou dos vídeos. Mas a vergonha apenas o leva a dizer que ela não entende… numa tentativa de fazer o marido feliz ela contrata um acompanhante masculino. O marido pergunta o que aquilo quer dizer e ela apenas responde...”yo solo miro”

A sessão seguinte foi com o documentário “Das Andere Estanbul”, onde se vê o trabalho de um activista da associação “Lambda Estanbul” num processo de abrir mentalidades, num pais de maioria Muçulmana, o mesmo país que está na corrida para fazer parte da comunidade Europeia. Mas o filme do dia foi mesmo a história de uma jovem (Mel) de aspecto masculino, que conhece uma menina (Jenny) loira, linda, e com défice de atenção por parte do seu namorado. Não entende que quem acaba de conhecer é alguém do sexo feminino e deixa-se levar pelo sorriso apaixonado de Mel, e pela atenção que esta lhe dispensa. Mel que acaba de conhecer um novo amigo de emprego, um português chamado Miguel, aproveita o facto e em conversas vai tirando dele informações que depois lhe servem para criar uma personagem masculino de seu nome Miguel e português, fazendo Jenny acreditar nessa personagem por quem se apaixona…contudo o verdadeiro Miguel descobre e aconselha Mel a contar a verdade, coisa que ela faz numa visita inesperada de Jenny ao seu trabalho,…o choque de Jenny perante a verdade, e o ataque do seu namorado de Jenny a Mel, faz com que Mel tenha uma atitude de ruptura, conte ao pai e ao irmão e no seguimento despeça-se dos dois e vá com o Miguel para Portugal.