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Nota de imprensa - Não Matarás

por portugalgay domingo, 16 Maio 2010 11:05

comunicado do GAT - www.gatportugal.org

NOTA DE IMPRENSA

Não Matarás!

O Cardeal Joseph Ratzinger, Papa Bento XVI, visita Portugal entre 11 e 14 de Maio, a convite da Presidência da República e da Conferência Episcopal. É possível que durante esse período Bento XVI reafirme uma série de opiniões da hierarquia católica, que pretendem influenciar o modo como os católicos e os não católicos portugueses vivem a sua vida sexual.

Tendo em conta o recorrente posicionamento da Igreja Católica em relação a questões como o VIH/SIDA, o uso de preservativos e a educação sexual – bem como a intensa difusão dada a estas declarações –, o GAT, Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA, considera importante chamar a atenção para determinados factos relacionados com a epidemia da SIDA no mundo.

As posições da Igreja Católica sobre o uso do preservativo impõem que se reflicta acerca da sua responsabilidade na infecção pelo VIH de milhões de homens, mulheres e crianças. De facto, a epidemia da SIDA já provocou mais de 40 milhões de mortes e a ONUSIDA estima que, a nível global, um quarto das pessoas seropositivas seja católico.

Há cerca de um ano, durante a sua visita ao continente Africano, Bento XVI rejeitou os preservativos como forma de combate à epidemia da SIDA. Apesar dos protestos internacionais e da comunidade científica, a Igreja Católica nunca se retractou destas afirmações.

De facto, com estas declarações, Bento XVI coloca-se ao nível dos que não defendem a vida e contraria as posições oficiais da Organização Mundial de Saúde e das agências das Nações Unidas que, num documento divulgado no ano passado, afirmam que “o preservativo é um elemento crucial numa estratégia integrada, efectiva e sustentável na prevenção e tratamento do VIH”.

Luís Mendão, presidente do GAT, alertou que “as declarações inaceitáveis do Papa colocam em risco a vida de milhões de católicos que terão de viver no dilema de seguir as orientações da Igreja e tentar manter-se não infectados”.

Desde o início da epidemia, a condenação do uso do preservativo por João Paulo II e posteriormente por Bento XVI constituiu um enorme obstáculo na luta contra a SIDA no mundo e, em especial, no continente Africano.

Essas declarações do Papa são ainda mais graves se tivermos em conta que em numerosos países em desenvolvimento a Igreja Católica ocupa um lugar de destaque nos cuidados de saúde; ou ainda, pelo facto de facilitar que as autoridades reduzam as suas politicas de prevenção ou acesso aos preservativos em países ou contextos em que a Igreja Católica está presente.

Actualmente podemos considerar que as políticas de prevenção baseadas exclusivamente na abstinência e na fidelidade são um fracasso, por um lado porque a abstinência sexual não é humanamente aceitável, por outro porque não são sustentáveis a longo prazo. Estes programas, postos em prática por influência da moral religiosa, desviaram os governos das verdadeiras políticas de prevenção.

Menos de 20% da população mundial tem acesso aos preservativos apesar da epidemia afectar quase 40 milhões de pessoas e de continuar a expandir-se. O número de novas infecções continua superior ao número de pessoas que iniciam tratamento.

Apesar da compaixão manifestada pela Igreja Católica face às pessoas seropositivas e do facto de esta afirmar que cuida de 25% dos doentes de todo o mundo, não podemos ignorar, ou melhor insistimos em afirmar, que as posições sobre o uso do preservativo da hierarquia católica contribuem para milhões de novas infecções pelo VIH.

«Este divórcio absoluto entre a realidade da sexualidade humana e as posições dogmáticas da Igreja Católica demonstra uma insensibilidade que se aproxima da irresponsabilidade. Esperamos que os católicos portugueses que não se revêem nessa posição da hierarquia católica façam ouvir com força as suas vozes de condenação», frisou ainda o responsável do GAT.

A Direcção do GAT, 12 de Maio de 2010

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Eu não sei se infectei alguém, porque também não se preocuparam em saber se me infectaram

por portugalgay sexta-feira, 04 Dezembro 2009 10:41
Ridículo, é a palavra!

Dias atrás passou num dos canais da televisão Portuguesa uma reportagem sobre um indivíduo que se dizia seropositivo.

Ate aqui estamos todos bem, pois estávamos perto de recordar o dia internacional da luta contra a infecção pelo VIH/Sida, e como é norma tem sempre uma ou outra reportagem que nos dá uma imagem de como está a situação no momento.

Mas depois toda a reportagem surge numa visão do coitadinho, do "pobre de mim que me infectaram".

Sempre ouvi dizer que para dançar o tango são preciso dois, logo em pleno século XXI com toda a informação disponível, as pessoas "não são infectadas" mas, geralmente, "infectam-se", e embora pareça a mesma coisa, não o é!

Se este senhor está infectado é porque ele não tomou as devidas precauções, é porque ele não se soube proteger e como tal não precisa de vir dizer que o infectaram e que ele é um pobre coitado.

Faltou sem dúvida no inicio do discurso sobre o VIH em Portugal, uma atitude mais assertiva, que não tivesse sido um conjunto de políticas e acções baseadas no preconceito, e por isso muitas pessoas nem deram conta do que de facto se estava a falar, e numa postura tipicamente Portuguesa, foi-se facilitando e acreditando que era uma coisa "dos outros", particularmente dos maricas, ou de pessoas promíscuas (ainda hoje alguna pensam ser sinónimos), e que por isso a outra parte não precisava de protege-se, por isto ou aquilo.

Assim este senhor de que vos falo representa um papel ridículo, uma postura que nem no tempo do AZT se viu. Para quem não sabe ou não se recorda o AZT era a única medicação contra o VIH/SIDA no início da guerra contra este vírus e tinha extremos efeitos secundários mas que, mesmo assim, conseguiu prolongar a vida de muitas pessoas nos finais dos anos 80 dando uma esperança de vida e não uma sentença de morte.

O comentário de que dói muito tomar a medicação para o VIH é mais que uma inverdade: é um insulto a todos aqueles que de facto tem tratamentos dolorosos, como por exemplo os pacientes de cancro. O tratamento actual do VIH/SIDA tem, a bem da verdade, alguns efeitos secundários, mas na esmagadora maioria dos pacientes o diálogo com a equipa médica consegue resolver estas situações e os pacientes têm uma vida perfeitamente normal realizando todas as actividades do dia a dia.

E é um insulto ainda maior porque põe em risco a vida do senhor em causa quando se sabe que "deixar a doença andar" não é um bom método para prevenir complicações do VIH/SIDA e que, embora existam pessoas HIV+ que vivem o dia-a-dia sem medicação estas são seguidas regularmente por uma equipa médica que debate caso a caso quais as melhores estratégias terapêuticas.

E é um insulto à inteligência porque é um contra-senso: ao deixar a doença evoluir estão a fechar-se oportunidades de tratamento e as opções terapêuticas começam cada vez a ser mais limitadas, e aí sim: se a única opção disponível tiver efeitos secundários graves os médicos vêem-se com muito limitada capacidade de manobra.

Mas este testemunho é também lamentável, são mais que muitos os testemunhos de pessoas que infectadas, sentem que a vida lhes deu mais uma oportunidade, e aproveitam essa oportunidade para ver a vida de uma forma mais positiva, sendo que a única culpa que apontam é a sua.

Este senhor diz que foi infectado e que agora não quer saber dos outros e por isso não tomou precauções em uma outra situação, afirmou mesmo que já depois de saber que estava seropositivo teve relações desprotegidas, colocando em risco quem com ele se relacionou.

Pessoalmente custa-em a engolir este verdadeiro atentado contra a vida de um ser humano na forma premeditada.

E porque este tipo de tempo de antena trás sempre quem pense que aquilo que ai foi dito seja mesmo assim, aqui fica algumas sugestões.

Os centros CAD existentes no nosso pais fazem testes de forma anónima (inclusivé para estrangeiros), gratuita, e com apoio psicológico!

Não devem ir a correr fazer o teste quando tiverem uma situação de risco, devem aguardar algum tempo que varia de pessoa para pessoa, assim sugere-se que aguardem pelo menos duas a três semanas, e quando forem fazer o teste digam quando foi que
tiveram esse comportamento.

Mas se estiverem mesmo com dúvidas no "dia seguinte" o CAD também está lá para as esclarecer.

Se por ventura o teste der positivo, os CAD normalmente encaminham-vos para o hospital da área, cumpram os concelhos do vosso medico/a e vão ver que além de poderem ter uma vida sem problemas de maior, a medicação é apenas alguns comprimidos, que graças a evolução farmacêutica se pode resumir a uma toma diária.

Para que nada disto se venha a acontecer tenham sempre em mente que todo e qualquer parceiro/a sexual é um potencial portador não só de VIH mas de qualquer outra doença sexualmente transmissível.

Protejam-se e façam o favor de serem felizes.

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Intervenção... No VIH/SIDA e nas nossas vidas

por portugalgay sábado, 26 Setembro 2009 20:24

Falta um dia para o fim (este post é referente a sexta-feira), marquei 4 filmes para este dia, mas destaco dois.

Fig Trees
"Fig Trees", um musical, uma ópera de intervenção. Em questão a luta internacional pelo acesso ao tratamento contra o VIH/SIDA. Um documentário cantado e falado com uma cooreografia visual muito interessante. Entrevistados centrais, e a razão de ser desde documentário, Tim McCaskell de Toronto, Canadá e Zackie Achmat da Cidade do Cabo, Africa do Sul. Ambos desenvolveram um trabalho notável no acesso a medicação de qualidade.

O Signo da Cidade
O segundo filme "O Signo da Cidade" é uma abordagem sobre as nossas preocupações do dia a dia nos fazem esquecer os qu estão memo ali ao nosso lado. As carências, o completo desconecimento do sofrimento do vizinho, porque só a nossa dor interessa, nem que para a ultrapassar tenhamos de espezinhar os outros. Um filme desinibido de preconceitos, que mostra a infelicidade da solidão, a frustação por sonhos adiados, a impotência para ajudar quando queremos. Um filme fantástico que nos faz reflectir sobre nós próprios.

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Namorado VIH+

por portugalgay segunda-feira, 09 Outubro 2006 12:03

Recebido em http://portugalgay.pt/assumir/

Tocando agora num assunto mais sério: Conheci aqui há um tempo atrás um rapaz meigo, simpático super carinhoso mas, há um mês contou-me que tem VIH.

Obviamente que foi um choque para mim porque não é todos dias que a pessoa que está ao nosso lado e por quem temos um carinho especial tem VIH.

Não demonstrei qualquer ressentimento mas a verdade é que ás vezes não me sinto à vontade e não sei muito bem o que fazer.

Não o quero magoar mas o medo que dentro de mim está também é muito grande.

Gostava que alguém me pudesse aconselhar.

Obrigado.



Resposta

Obrigado pelo seu mail antes de mais.

Depois a sua atitude não podia ter sido melhor, portou-se como de certo muitos outros gostariam que os seus companheiros/as se portassem perante uma noticia dessas.

Deve compreender que para ele também deve ter sido muito difícil guardar o segredo e agora ter-lhe contado, e por isso ter tido da sua parte uma postura de aceitação, embora o choque seja a meu ver inevitável, é o melhor presente que alguém que ama alguém pode receber.

Ele estará a tentar reiniciar a sua vida também ele depois do choque de ter recebido a notícia de que era positivo e esta a tentar essa tarefa ao seu lado.

Penso que não tem muito conselho que lhe possa dar, que você já não tenha conhecimento e ele mesmo, se calhar isto até deveria ser um assunto que deveria falar com ele.

Sexo já sabe que será para todo o sempre (a menos que a desejada cura surja entretanto, e enquanto há vida há esperança), será com preservativo, isto no que respeita a penetrações anais. Quanto ao sexo oral desde que não existam secreções poderá ser sem protecção, NUNCA lavar a boca com escova dos dentes imediatamente antes do sexo nem imediatamente depois, poderá ferir a gengiva e dessa forma deixar uma porta aberta para a infecção, bocheche com um elixir se pretender ter uma boca mais fresca. Quanto ao resto do convívio, cobram-se de beijos, durmam, comam, bebam, e vivam juntos porque esse “bichinho” mau chamado VIH não tem assim tanta força, digo eu!

João Paulo
Editor

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A Vida como ela é

por portugalgay quarta-feira, 03 Maio 2006 14:51

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VIH SIDA e Preconceitos

por portugalgay sexta-feira, 26 Novembro 2004 10:16

Recebido em http://portugalgay.pt/dst/sida.asp


Olá. Sou seropositivo há já 3 anos, e o que me surpriende em todo este movimento é ainda as pessoas não terem a informação precisa que é o que falta aos politicos, médicos e demais informadores sociais.

1º - ainda se pensa que a transmissão se fáz através da saliva.

2º - ainda se pensa que a transmissão se faz atraves da picada do mosquito

3º - há um desconhecimento total, quer pela população quer pelos media, que a "SIDA" (Síndrome de Imuno-Deficiência Adequirida) propriamente dita só acontece quando se está numa face bastante avançada da infecção pelo VIH

4º - Muitas pessoas pensam que a infecção pelo VIH origina sintomas claros e visíveis logo após a infecção tal como acontece, por exemplo, com a Hepatite B, outra doença infecciosa.

Por isso eu só gostava que existissem informações fossem mais precisas quanto ao VIH/SIDA.

Obrigado

Um primeiro passo é publicar mensagens como estas! Outro passo (em que já estávamos a trabalhar) é publicar folhetos informativos sobre o assunto que estarão disponíveis on-line aqui no PortugalGay.PT na próxima semana.

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