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ComOut Nº3 - Setembro - Editorial

por portugalgay terça-feira, 14 Outubro 2008 17:06

O nº 3 da revista ComOut já está nas bancas há algumas semanas, infelizmente só agora nos foi possível actualizar a secção revistas com a informação respectiva.


Fica aqui o texto do editorial respectivo da responsabilidade da revista.
Tristes Figuras

Um nome bem conhecido da nossa praça, com provas dadas na sua profissão e com uma reputação acima de qualquer suspeita reagiu da seguinte forma a um telefonema feito pela redacção da Com’Out: “Não presto qualquer declaração e aviso-os que esta conversa está a ser gravada. Se publicarem nem que seja uma palavra minha serão processados”. Assim, sem mais.

E que pergunta lhe fizemos?

Nenhuma.

Bastou dizer que éramos uma revista dirigida à comunidade LGBT. Quatro letrinhas apenas que provocaram uma reacção desconcertante para a qual não temos explicação.

Era obrigado a falar connosco? Claro que não.

Mas para isso existem formas mais polidas de recusa. Até porque nem sequer se dignou a ouvir a questão (que, já agora, era tão simplesmente: concorda que o casamento tem como objectivo a procriação?)

Esqueletos no armário? Talvez. Mas não é por aí que queremos ir. Não nos interessa a vida privada de ninguém. Só se expõe quem quer e toda a gente tem direito a viver a sua vida sem ter de explicar nada aos outros. Nunca iremos perguntar a alguém se é lésbica ou gay, até porque num país civilizado essas questões não se colocam. Se achamos que as figuras públicas têm o dever de se assumir?

Cada um sabe de si. Acreditamos que se houvesse um coming out geral não seriam suficientes todas as páginas dos jornais e revistas portuguesas para publicarem os nomes. O que provoca uma certa indignação é muitas dessas ditas figuras se exibirem na praça pública inventando namoros, fabricando mentiras a troco da aceitação da sociedade. Em Portugal ainda se continua a pagar um preço muito alto pela saída do armário. E muitos concluem que mais vale continuar a ser sócio do clube dos hipócritas, do que ser excluído do circo, onde estão condenados a desempenhar eternamente o mesmo papel...

Editoral ComOut
Setembro 2008

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Aos Senhores Deputados

por portugalgay sábado, 11 Outubro 2008 21:12

Mensagem recebida num formulário de opinião do PortugalGay.pt:

Gostaria de vos transmitir o e-mail que enviei pelo portal do governo para a assembleia...
Ex.mos Senhores Deputados!

Em primeiro lugar dirijo-me a V/ pois esteve nas vossas mãos a decisão sobre o casamento Gay em Portugal e a adopção de crianças por parte desses casais ou por indivíduos que se sentem atraídos (e gostam) de pessoas do mesmo sexo.

Ainda não consegui compreender o que perde o pais com este tipo de casamentos. Será medo de que algum membro do governo ou da assembleia seja o primeiro a casar e todo o pais fique a saber? Não será esta a melhor maneira de fazer com que os portugueses deixem de ser preconceituosos?

Sou Gay, por isso é que escrevo este e-mail, se não o fosse deixava-me estar quieto, provavelmente esta luta passava-me ao lado.

Agora questiono. Para que serve a constituição Portuguesa, que caso não saiba fala da igualdade, igualdade essa que no dia 10 de Outubro nos foi negada. Assim sendo, porque não colocam a constituição Portuguesa no armário. Acho que se o fizerem não estão a agir correctamente, mas se uma coisa tão explícita como a igualdade de direitos nos é negada, para que serve lá estar escrito.

Outra coisa que me deixa frustrado é andar a escolher deputados, andar a "perder tempo nas eleições" para depois haver abstenção por parte dos senhores deputados. Não querem reduzir a abstenção durante as eleições? Este exemplo que estão a dar não é o melhor. Não acredito que não tenham uma opinião formada, acredito ante que o medo de votar no sim vos tenha levado a tomar essa decisão.

Parece triste mas é verdade, continuamos a ser colocados de parte, nem o exemplo da nossa vizinha Espanha vos serve de lição, concordo que não devemos ser iguais a eles, mas sigam o exemplo, deixem o preconceito de lado. Se não houvesse tanto preconceito, acreditem que muitos dos casamentos dito heterossexuais não aconteciam, os dedos das minhas 2 mãos não chegam para contar os homens casados que conheço que andam metidos com pessoas do mesmo sexo, ou que frequentam locais de engate onde existe prostituição masculina. Será que o casamento gay não acabaria com este tipo de situação, casar porque fica bem.

Os gay’s não querem isso, querem casar e ter uma vida normal como todos os outros, apenas querem ser felizes. Custa muito deixarem estas pessoas serem FELIZES.

Bom trabalho, mas com boas decisões, que as próximas não coloquem em causa a liberdade das pessoas nem o direito à igualdade.

Hugo

Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo no Parlamento

por portugalgay sexta-feira, 10 Outubro 2008 17:02

Foram hoje discutidos na Assembleia da República (AR) os projectos do BE e de Os Verdes. Foram discutidos pelos proponentes e pelos partidos que se apresentam contra, mais que estar contra parecem se apresentar contra o respeito pela cidadania dos que os elegeram.

 

O PortugalGay.pt esteve nas galerias a assistir a esta discussão, e ficou perplexo com a imaginação do Sr deputado do PP, Nuno Melo, que além de ter origem na terra dos três Pés, fez um discurso conservador (outra coisa não seria alias de esperar) e entrou também pelo caminho da criatividade capaz de fazer corar até o Steven Spielberg, fazendo um jogo de palavras e de ideias que embora não estando escritas em lado algum. A sua criatividade deu-nos provas de que tudo é possível (discurso disponível no site do CDS-PP).

 

Foi contudo o discurso do PSD que a mim me chocou mais. Sempre tive a esperança de que as eloquentes declarações da líder deste partido fosse uma "infecção" controlada, mas parece que todo o partido devia entrar em quarentena. É preocupante as convicções que os senhores deputados do PSD expressam referente a este assunto em específico. Mais assustador é saber que estas senhoras e senhores estão na AR a opinar leis, a decidir vidas. António Montalvão Machado, foi protagonista de um discurso retrógrado, hipócrita e a léguas da realidade da sociedade Portuguesa. Montalvão Machado num discurso triste conseguiu ferir a assistência, conseguiu remeter de forma clara todas e todos os homossexuais para uma linha de tratamento de segunda. A juntar a toda esta infelicidade o senhor deputado do PS Jorge Stresht, vem afirmar a nota de imprensa que embora o PS vote contra, é a favor. Tipo discurso do nosso brilhante grupo humorístico "Gato Fedorento", na caricatura do Professor Marcelo... "Votamos contra, mas somos a favor!"

 

Mas nem tudo foi mau, e aqui expresso de seguida os louvores devidos: em primeiro lugar ao BE e aos Verdes por terem trazido este assunto á discussão pública, por terem dado, neste deserto que tem sido o respeito pelos direitos humanos, uma réstia de esperança de que um Oásis existe algures.

 

Depois ao brilhante discurso de Helena Pinto que em poucas palavras disse uma verdade tão grande, disse-o de forma clara e firme não deixando espaço para dúvidas, sobre a pretensão de muitas e muitos homossexuais, concretizado no projecto doo BE.

 

Igual congratulação, tenho de dar a Madeira Lopes, o deputado que com voz clara e sem papas na língua expressou a nossa pretensão, desta vez no projecto dos verdes.

 

Contudo há um deputado que em resposta ás barbaridades proferidas pelos deputados do CDS-PP e do PSD, teve uma defesa, um discurso, uma apresentação que, a meu ver, deitou por terra qualquer argumento destes dois partidos. Luís Fazenda foi implacável.

 

Fica também o meu bem haja a três deputados que se destacaram nesta sessão, Manuel Alegre e Pedro Nuno do PS, e Paulo Coelho do PSD, só mostraram que ainda existem seres humanos que por acaso são deputados, e que tem personalidade, as quais ultrapassam quaisquer tipo de castrações. Diria a estes senhores "Viva a Liberdade!"
(entretanto lá fora, faziam-se dois casamentos civis que seriam legais não fossem 3 horas de viagem...)

Flash Mob Pelo Casamento Civil - 2 Outubro 2008 - 19:30

por portugalgay quarta-feira, 01 Outubro 2008 23:32

1ª Flash Mob pelo acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, quinta, dia 2, em frente à Brasileira, às 19h30. Leva folha branca e caneta para escreveres "Acesso ao Casamento Civil". Deves dispersar no minuto seguinte!

Envia para os teus contactos!

Mais informação sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo.