
Foram hoje discutidos na Assembleia da República (AR) os projectos do BE e de Os Verdes. Foram discutidos pelos proponentes e pelos partidos que se apresentam contra, mais que estar contra parecem se apresentar contra o respeito pela cidadania dos que os elegeram.
O PortugalGay.pt esteve nas galerias a assistir a esta discussão, e ficou perplexo com a imaginação do Sr deputado do PP, Nuno Melo, que além de ter origem na terra dos três Pés, fez um discurso conservador (outra coisa não seria alias de esperar) e entrou também pelo caminho da criatividade capaz de fazer corar até o Steven Spielberg, fazendo um jogo de palavras e de ideias que embora não estando escritas em lado algum. A sua criatividade deu-nos provas de que tudo é possível (discurso disponível no site do CDS-PP).
Foi contudo o discurso do PSD que a mim me chocou mais. Sempre tive a esperança de que as eloquentes declarações da líder deste partido fosse uma "infecção" controlada, mas parece que todo o partido devia entrar em quarentena. É preocupante as convicções que os senhores deputados do PSD expressam referente a este assunto em específico. Mais assustador é saber que estas senhoras e senhores estão na AR a opinar leis, a decidir vidas. António Montalvão Machado, foi protagonista de um discurso retrógrado, hipócrita e a léguas da realidade da sociedade Portuguesa. Montalvão Machado num discurso triste conseguiu ferir a assistência, conseguiu remeter de forma clara todas e todos os homossexuais para uma linha de tratamento de segunda. A juntar a toda esta infelicidade o senhor deputado do PS Jorge Stresht, vem afirmar a nota de imprensa que embora o PS vote contra, é a favor. Tipo discurso do nosso brilhante grupo humorístico "Gato Fedorento", na caricatura do Professor Marcelo... "Votamos contra, mas somos a favor!"
Mas nem tudo foi mau, e aqui expresso de seguida os louvores devidos: em primeiro lugar ao BE e aos Verdes por terem trazido este assunto á discussão pública, por terem dado, neste deserto que tem sido o respeito pelos direitos humanos, uma réstia de esperança de que um Oásis existe algures.
Depois ao brilhante discurso de Helena Pinto que em poucas palavras disse uma verdade tão grande, disse-o de forma clara e firme não deixando espaço para dúvidas, sobre a pretensão de muitas e muitos homossexuais, concretizado no projecto doo BE.
Igual congratulação, tenho de dar a Madeira Lopes, o deputado que com voz clara e sem papas na língua expressou a nossa pretensão, desta vez no projecto dos verdes.
Contudo há um deputado que em resposta ás barbaridades proferidas pelos deputados do CDS-PP e do PSD, teve uma defesa, um discurso, uma apresentação que, a meu ver, deitou por terra qualquer argumento destes dois partidos. Luís Fazenda foi implacável.
Fica também o meu bem haja a três deputados que se destacaram nesta sessão, Manuel Alegre e Pedro Nuno do PS, e Paulo Coelho do PSD, só mostraram que ainda existem seres humanos que por acaso são deputados, e que tem personalidade, as quais ultrapassam quaisquer tipo de castrações. Diria a estes senhores "Viva a Liberdade!"