07/11/2008 16:29
Transfofa - Mudar de sexo é grátis

Ainda há bem pouco tempo, escrevi um post sobre a maneira como os media amiúdas vezes falam/escrevem sobre transexualidade.
Bem pouco tempo depois, saíu uma reportagem no jornal 24 horas, um artigo que supostamente deveria ser centrado na cirurgia que uma transexual, a “primeira cantora transexual portuguesa” estava em vias de fazer.
A reportagem em si até nem estava mal, embora relegasse a transexual para segundo plano, remetendo-a para uma caixinha. Mas, se calhar numa tentativa de chocar muita gente e criar mais uma polémica, o título da dita reportagem era: “Serviço Nacional de Saúde comparicipa a 100 por cento das cirurgias - Mudar de sexo é grátis”.
Como seria de prever, a toda a gente que por várias razões necessita de ser operada e tem de pagar porque o estado não as comparticipa totalmente, esta notícia caiu muito mal. Claro que na sua mais que justa indignação, muitas vezes fruto de um total desconhecimento destas matérias, as pessoas têm tendência de passar ao lado do verdadeiro cerne da questão, subliminarmente influenciadas por títulos manipulados como neste caso.
E porque analiso eu as coisas desta maneira? Porque, e claro que isto não foi mencionado de forma nenhuma, o verdadeiro escândalo não é existirem cirurgias totalmente comparticipadas pelo estado, mas sim haverem cirurgias que não são totalmente comparticipadas. Isto é que é escandaloso num estado que apregoa que a saúde é um direito.
Ou seja, a mensagem subliminar consiste em fazer passar uma imagem de uma espécie de favoritismo em relação a uma classe (que por sinal até é bem conhecida por ser das que mais discriminação sofre quer a nível social quer a nível laboral) em detrimento de outras mais aceitáveis socialmente. Portanto, continuando a lógica subjacente (mas nunca explícita) deve-se cortar essa comparticipação total, nivelando toda a gente a uma suposta “igualdade”.
Este argumento cai logo pela base quando se pensa qual a igualdade entre um trabalhador que tenha de pagar, por exemplo, 5000€ por uma cirurgia e que ganhe o ordenado mínimo, comparando por exemplo, com um gestor de um banco que ganha muitos ordenados mínimos por mês.
Também é falso o argumento quando se pensa que a solução social para muita coisa será, não o descer o nível de quem vive melhor, mas sim subir o nível de quem vive pior. Ou seja, não é por causa de “uns” terem direito a certas coisas que “outros” não têm, que se deve cortar o direito a essas coisas, mas sim, alargar esse direito aos que não o têm. Muitos regimes ditos comunistas o fizeram, nivelando tudo por baixo, quando deviam era ter elevado os mais baixos,
como bem se sabe.
Está-se assim perante uma descarada tentativa de manipulação da opinião pública, escamoteando a verdadeira questão, fazendo parecer favorecida toda uma comunidade que como se sabe é na realidade das mais desfavorecidas.
Em seguimento, saiu uma outra peça na RTP1 de hoje, com o seguinte título: “Antigo membro dos Onda Choc submete-se a mudança de sexo”. No pouco que tem como parte escrita, começa logo com um total desrespeito à pessoa transexual feminina e que seria o tema principal da peça, mas que não é sequer mencionada, tratando-a como “O jovem de 26 anos”. No próprio dia em que essa pessoa realiza a sua CRS.
Mais uma vez, embora a peça até nem esteja nada mal (afirmações mais controversas serão da autoria das pessoas entrevistadas, como a deliciosa frase em que a homossexualidade pode ser confundida com transexualidade), se nota que o destaque dado no rodapé enquanto a peça era transmitida rezava o seguinte: “Mudança de sexo – cirurgia 100% comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde”. Pergunta: isto não faz lembrar nada? Mais uma vez uma tentativa de manipulação da opinião pública, mais uma vez escamoteando a verdadeira questão. Duas quase de seguida, com boas reportagens, mas com títulos ou rodapés tendenciosos da opinião pública. Será coincidência?
E ainda não se viu uma reportagem sobre o porquê, por exemplo, de ainda estar uma avaliação psicológica/psiquiátrica há seis anos à espera de vir de Coimbra para Lisboa. Nem se viu uma reportagem sobre os porquês da necessidade de uma lei de identidade de género em Portugal.
Curioso como a balança tem tendência de tombar sempre (ou quase) para um lado...
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01/11/2008 01:27
Nota da ABGLT (Brasil) sobre a exclusão de homossexuais do sacerdote católico
A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), entidade de abrangência nacional que congrega 203 organizações congêneres, e cuja missão é promover a cidadania e defender os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero, vem a público expressar indignação diante da atitude discriminatória do Vaticano em avaliar candidatos ao sacerdote por meio de exame psicológico, com rejeição daqueles que tal análise considerar serem homossexuais.
A ABLGT lamenta que, no ano em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos, o Vaticano possa adotar uma prática flagrante de discriminação desta natureza. Citamos: “Artigo I: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Artigo II: Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”
Em dezembro de 2007, o Arcebispo italiano Silvano Tomassi, representando o Vaticano em sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, afirmou que os direitos básicos de cada ser humano “não estão sujeitos aos altos e baixos históricos ou interpretações de conveniências” e que a dignidade humana “transcende qualquer diferença religiosa, política ou cultural”, unindo todas as pessoas “numa única família”.
(Fonte: http://www.teologiafeevida.com.br/modules/news/article.php?storyid=83)
Ora, há uma nítida contradição no discurso do Vaticano, que por um lado prega o respeito aos direitos humanos e afirma que todas as pessoas fazem parte de “uma única família”, ao mesmo tempo em que exclui os homossexuais de seus quadros. Materializou-se a situação prevista por George Orwell, em sua sátira A Revolução dos Bichos [Triunfo dos Porcos*]: “todos os animais são iguais, mais alguns são mais iguais do que outros”.
A competência, ou “rigidez de caráter”, de um sacerdote independe de sua orientação sexual, assim como a prática da pedofilia não é exclusiva aos homossexuais. Estudos demonstram que a pedofilia é praticada contra crianças de ambos os sexos, majoritariamente por homens heterossexuais, muitas vezes o pai ou parente próximo da vítima. É improvável que a medida tomada pelo Vaticano resulte na almejada diminuição dos casos de pedofilia praticados por seus sacerdotes. A ABGLT condena a pedofilia e, conforme disposições de seu estatuto e as resoluções do seu I Congresso, não aceita a afiliação de organizações que promovem a pedofilia.
Para a ABGLT, a atitude do Vaticano não é atitude cristã, é uma atitude discriminatória, ou seja, anti-cristã. Trata-se de martirizar pessoas que apresentam essa diferença em relação à maioria, demonizando-as. Trata-se de manter a discriminação, aquela que a Igreja diz combater.
A ABGLT já solicitou ao Conselho Federal de Psicologia que se pronuncie sobre esse acinte à cidadania da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, tendo em vista que em 1999 o Conselho publicou a Resolução 001/99 que diz que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão” e que “os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas”. O Conselho deverá se pronunciar dentro de uma semana.
Na semana que vem, será realizada a XXIV Conferência Mundial da Associação Internacional de Lésbicas e Gays (ILGA), em Viena, Áustria. O evento reunirá delegados de organizações LGBT do mundo inteiro e a delegação brasileira solicitará a emissão de uma nota de repúdio ao Vaticano em nome da comunidade internacional LGBT.
Toni Reis
Presidente da ABGLT
*nota PortugalGay.PT
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14/10/2008 17:06
ComOut Nº3 - Setembro - Editorial
O nº 3 da revista
ComOut já está nas bancas há algumas semanas, infelizmente só agora nos foi possível actualizar a secção revistas com a informação respectiva.
Fica aqui o texto do editorial respectivo da responsabilidade da revista.
Tristes Figuras
Um nome bem conhecido da nossa praça, com provas dadas na sua profissão e com uma reputação acima de qualquer suspeita reagiu da seguinte forma a um telefonema feito pela redacção da Com’Out: “Não presto qualquer declaração e aviso-os que esta conversa está a ser gravada. Se publicarem nem que seja uma palavra minha serão processados”. Assim, sem mais.
E que pergunta lhe fizemos?
Nenhuma.
Bastou dizer que éramos uma revista dirigida à comunidade LGBT. Quatro letrinhas apenas que provocaram uma reacção desconcertante para a qual não temos explicação.
Era obrigado a falar connosco? Claro que não.
Mas para isso existem formas mais polidas de recusa. Até porque nem sequer se dignou a ouvir a questão (que, já agora, era tão simplesmente: concorda que o casamento tem como objectivo a procriação?)
Esqueletos no armário? Talvez. Mas não é por aí que queremos ir. Não nos interessa a vida privada de ninguém. Só se expõe quem quer e toda a gente tem direito a viver a sua vida sem ter de explicar nada aos outros. Nunca iremos perguntar a alguém se é lésbica ou gay, até porque num país civilizado essas questões não se colocam. Se achamos que as figuras públicas têm o dever de se assumir?
Cada um sabe de si. Acreditamos que se houvesse um coming out geral não seriam suficientes todas as páginas dos jornais e revistas portuguesas para publicarem os nomes. O que provoca uma certa indignação é muitas dessas ditas figuras se exibirem na praça pública inventando namoros, fabricando mentiras a troco da aceitação da sociedade. Em Portugal ainda se continua a pagar um preço muito alto pela saída do armário. E muitos concluem que mais vale continuar a ser sócio do clube dos hipócritas, do que ser excluído do circo, onde estão condenados a desempenhar eternamente o mesmo papel...
Editoral ComOut
Setembro 2008
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11/10/2008 21:12
Aos Senhores Deputados
Mensagem recebida num formulário de opinião do PortugalGay.pt:
Gostaria de vos transmitir o e-mail que enviei pelo portal do governo para a assembleia...
Ex.mos Senhores Deputados!
Em primeiro lugar dirijo-me a V/ pois esteve nas vossas mãos a decisão sobre o casamento Gay em Portugal e a adopção de crianças por parte desses casais ou por indivíduos que se sentem atraídos (e gostam) de pessoas do mesmo sexo.
Ainda não consegui compreender o que perde o pais com este tipo de casamentos. Será medo de que algum membro do governo ou da assembleia seja o primeiro a casar e todo o pais fique a saber? Não será esta a melhor maneira de fazer com que os portugueses deixem de ser preconceituosos?
Sou Gay, por isso é que escrevo este e-mail, se não o fosse deixava-me estar quieto, provavelmente esta luta passava-me ao lado.
Agora questiono. Para que serve a constituição Portuguesa, que caso não saiba fala da igualdade, igualdade essa que no dia 10 de Outubro nos foi negada. Assim sendo, porque não colocam a constituição Portuguesa no armário. Acho que se o fizerem não estão a agir correctamente, mas se uma coisa tão explícita como a igualdade de direitos nos é negada, para que serve lá estar escrito.
Outra coisa que me deixa frustrado é andar a escolher deputados, andar a "perder tempo nas eleições" para depois haver abstenção por parte dos senhores deputados. Não querem reduzir a abstenção durante as eleições? Este exemplo que estão a dar não é o melhor. Não acredito que não tenham uma opinião formada, acredito ante que o medo de votar no sim vos tenha levado a tomar essa decisão.
Parece triste mas é verdade, continuamos a ser colocados de parte, nem o exemplo da nossa vizinha Espanha vos serve de lição, concordo que não devemos ser iguais a eles, mas sigam o exemplo, deixem o preconceito de lado. Se não houvesse tanto preconceito, acreditem que muitos dos casamentos dito heterossexuais não aconteciam, os dedos das minhas 2 mãos não chegam para contar os homens casados que conheço que andam metidos com pessoas do mesmo sexo, ou que frequentam locais de engate onde existe prostituição masculina. Será que o casamento gay não acabaria com este tipo de situação, casar porque fica bem.
Os gay’s não querem isso, querem casar e ter uma vida normal como todos os outros, apenas querem ser felizes. Custa muito deixarem estas pessoas serem FELIZES.
Bom trabalho, mas com boas decisões, que as próximas não coloquem em causa a liberdade das pessoas nem o direito à igualdade.
Hugo
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10/10/2008 17:02
Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo no Parlamento

Foram hoje discutidos na Assembleia da República (AR) os projectos do BE e de Os Verdes. Foram discutidos pelos proponentes e pelos partidos que se apresentam contra, mais que estar contra parecem se apresentar contra o respeito pela cidadania dos que os elegeram.
O PortugalGay.pt esteve nas galerias a assistir a esta discussão, e ficou perplexo com a imaginação do Sr deputado do PP, Nuno Melo, que além de ter origem na terra dos três Pés, fez um discurso conservador (outra coisa não seria alias de esperar) e entrou também pelo caminho da criatividade capaz de fazer corar até o Steven Spielberg, fazendo um jogo de palavras e de ideias que embora não estando escritas em lado algum. A sua criatividade deu-nos provas de que tudo é possível (discurso disponível no site do CDS-PP).
Foi contudo o discurso do PSD que a mim me chocou mais. Sempre tive a esperança de que as eloquentes declarações da líder deste partido fosse uma "infecção" controlada, mas parece que todo o partido devia entrar em quarentena. É preocupante as convicções que os senhores deputados do PSD expressam referente a este assunto em específico. Mais assustador é saber que estas senhoras e senhores estão na AR a opinar leis, a decidir vidas. António Montalvão Machado, foi protagonista de um discurso retrógrado, hipócrita e a léguas da realidade da sociedade Portuguesa. Montalvão Machado num discurso triste conseguiu ferir a assistência, conseguiu remeter de forma clara todas e todos os homossexuais para uma linha de tratamento de segunda. A juntar a toda esta infelicidade o senhor deputado do PS Jorge Stresht, vem afirmar a nota de imprensa que embora o PS vote contra, é a favor. Tipo discurso do nosso brilhante grupo humorístico "Gato Fedorento", na caricatura do Professor Marcelo... "Votamos contra, mas somos a favor!"
Mas nem tudo foi mau, e aqui expresso de seguida os louvores devidos: em primeiro lugar ao BE e aos Verdes por terem trazido este assunto á discussão pública, por terem dado, neste deserto que tem sido o respeito pelos direitos humanos, uma réstia de esperança de que um Oásis existe algures.
Depois ao brilhante discurso de Helena Pinto que em poucas palavras disse uma verdade tão grande, disse-o de forma clara e firme não deixando espaço para dúvidas, sobre a pretensão de muitas e muitos homossexuais, concretizado no projecto doo BE.
Igual congratulação, tenho de dar a Madeira Lopes, o deputado que com voz clara e sem papas na língua expressou a nossa pretensão, desta vez no projecto dos verdes.
Contudo há um deputado que em resposta ás barbaridades proferidas pelos deputados do CDS-PP e do PSD, teve uma defesa, um discurso, uma apresentação que, a meu ver, deitou por terra qualquer argumento destes dois partidos. Luís Fazenda foi implacável.
Fica também o meu bem haja a três deputados que se destacaram nesta sessão, Manuel Alegre e Pedro Nuno do PS, e Paulo Coelho do PSD, só mostraram que ainda existem seres humanos que por acaso são deputados, e que tem personalidade, as quais ultrapassam quaisquer tipo de castrações. Diria a estes senhores "Viva a Liberdade!"
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01/10/2008 23:32
Flash Mob Pelo Casamento Civil - 2 Outubro 2008 - 19:30
1ª Flash Mob pelo acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, quinta, dia 2, em frente à Brasileira, às 19h30. Leva folha branca e caneta para escreveres "Acesso ao Casamento Civil". Deves dispersar no minuto seguinte!
Envia para os teus contactos!
Mais informação sobre
casamento entre pessoas do mesmo sexo.
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27/9/2008 20:20
Queer Lisboa 12 - Dia 7 - Uma típica aldeia...
Campillo si, quiero+info em QueerLisboa.orgUm documentário fantástico de um lider político que dentro da autoridade que lhe é conferida enquanto Alcaide da localidade de Campillo, inicia várias celebrações de casamentos civis entre casais do mesmo sexo. Uma localidade pequena, onde o jovem Alcaide tambem se casa, onde se poderia esperar que o preconceito sobre os homossexuais, pudesse ser uma realidade de um meio rural, este político ganha com maioria absoluta a sua eleição, e dentro da autoridade que a lei lhe confere, não deixou de fazer política tambem em prol de uma sociedade mais justa. Dizia uma das pessoas entrevistas, "aqui toda gente cozinha"...
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26/9/2008 15:38
Queer Lisboa 12 - Dia 6 - A Guerra
Homossexualidade e Guerra Colonial+info em QueerLisboa.orgO QueerLisboa não só um festival de cinema, a sua faceta sócio-política vai além das películas e como tal organiza diversos debates. O debate de ontem primava pelo polémico tema, afinal não existe sexo nas forças armadas! Mas para as pessoas que estiveram presentes na Sala Buondi do São Jorge esse mito foi deitado por terra.
As histórias de vida de Guilherme Melo e de Domingues Oliveira, vividas na e durante a Guerra Colonial, são uma realidade que o país parece ter esquecido completemante.
Histórias de vida contadas na primeira pessoa que poderiam ter chocado os mais incautos pela crueza das palavras.
Histórias ricas de uma guerra que está por contar.
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25/9/2008 17:27
Queer Lisboa 12 - Dia 5 - Clandestinos e Improvivvisamente I'inverno Scorso
Clandestinos+info em QueerLisboa.orgUm filme que aos olhos da sociedade espanhola poderá ser algo ofensivo, ou doloroso, depende de quem o vê, com foco na sexualidade e guerra política.Embora o filme faça uma abordagem entre o que vulgarmente conhecemos pelos "Sr. Cunha" a quem tudo é permitido ou que tem previlégios por este ou aquele motivo. Neste caso a homossexualidade do "Sr Cunha", e os jovens que estão ligados também pelos afectos a guerras, que diria já não suas, ou mesmo guerras que nunca deveriam ter sido de alguém. Intenso, político, afectuoso. Clandestinos teve isso tudo, talvez por isso tenha sido tão polémico no país vizinho.
Improvvisamente I'inverno Scorso+info em QueerLisboa.orgGustav Hofer e o seu namorado de oito anos, Luca Ragazzi, conseguiram o documentário mais inteligente que alguma vez vi. Inteligente porque de uma forma, diria algo divertida, conseguem abordar um tema tão sério como a uniões entre pessoas do mesmo sexo, discutida no parlamento Italiano, e na sociedade em geral. A admirável coragem de estar nas contra-manifestações, de nacionalistas e de devotos "cegos" de uma doutrina há muito alterada e arcaica de uma Igreja cada vez mais longe de todos, foi uma constante. Tal como é constante o seu empenho. Luca diz não fazer parte do documentário desde o inicio, mas ter sido ligado a ele pelo seu companheiro Gustav. Foi uma confissão a meu ver doce, porque também penso que o projecto de um torna-se, quando existe amor e interesse pela vida de quem amamos, um projecto comum. Sem dúvida um documentario a não perder.
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24/9/2008 19:57
Queer Lisboa 12 - Dia 3 e 4
Bennys Gym+info em QueerLisboa.orgSer-se o que quer que seja não tem idade, somos e pronto, é assim que o filme Bennys Gym se apresenta. Com mais ou menos 11 ou 12 anos, eles sentem-se atraidos um pelo outro, com brincadeiras mais ou menos parvas vão aproximando-se.Benny é um jovem carente, e encontra na sensibilidade Alfred um porto de abrigo, encontra um carinho, encontraatenção, alguem que o faz sorrir, que lhe dá atençao pelo que ele é e,não pelo que ele quer parecer ser, como forma de se impor, e esconder uma familia violenta!
The Best Man+info em QueerLisboa.orgO melhor amigo de Peter vai casar, melhor amigo e a primeira paixão. Peter é o padrinho e enquanto está sozinho no quarto, vai recordando o passado. Um amor, grande, que naquele dia vai ser abafado.Quando da visita do noivo, sua paixão e melhor amigo, ao seu quarto, Peter pergunta-lhe se ele está feliz, pergunta-lhe repetidamente. O noivo veio ao quarto para trazer a Peter um presente, uma antiga aliança larga que Peter sempre gostou. O noivo coloca a aliança no dedo de Peter, e os dois deitam-se sobre cama, Peter sente os corpos tão perto, e tenta acariciar o noivo, mas este foge. Peter expressa no olhar o seu lamento pelo amor da sua vida ficar a partir de hoje mais longe de si.
Claudette+info em QueerLisboa.orgUm documentario sobre uma mulher hermofrodita: os pais decidem educar a criança dentro dos padrões masculinos. Casou, teve filhos, até que assumiu o papel de mulher e de profissional de sexo. Actualmente defende junto do parlamento europeu a discriminalizaçao da prostituiçao. Um decomentário frio, directo, e objectivo.69 – Praça da Luz+info em QueerLisboa.orgDelirante... profissionais do sexo de idade avançada que exercem o seu trabalho na Praça da Luz. Um documentário, curto, com testemunhos fantásticos. Mulheres em que cada história de vida daria um filme completo, e que todas as historias vividas com os seus clientes daria uma grande comédia, ou um grande trabalho de estudo sobre as fantasias, sobre as taras, mas acima de tudo pela solidão que o ser humano vive.Tryout+info em QueerLisboa.orgUm filme simplesmente doce. Uma realidade que por vezes pensamos não existir em paises como Israel. Um pai (Dan), professor de violino, apaixonado por um lindo jovem de seu nome Itay. Os dois são maravilhosamente interpretados a ponto de se sentir a cumplicidade existente entre eles. Mas Dan tem o filho que vem visitá-lo, numa tentativa de se aproximar do pai sem nada saber da vida deste.O amor imenso do pai pelo seu filho Uri, é castigado pela dedicação que tem a Itay, até que Uri encontra o pai e o namorado juntos no campo de jogos a beijarem-se... rejeita a imagem e foge do pai. Quando se dá o reencontro descobrimos um amor forte e o início de uma nova familia, a família de Dan, Itay, e Uri.
Schwarzwald: The Black Party+info em QueerLisboa.orgUma curta metragem onde o artista é Buck Angel. Um guião muito surrealista, como que um qualquer quadro de Salvador Dali. As imagens voam entre a fantasia total de uma espécie de festa de máscaras num bosque, e as performances de uma enorme discoteca. Aviso no início do filme: "Pode ver este filme, mas tambem o pode ver a dançar".E assim foi, houve mesmo quem se agitasse na cadeira. Música fabulosa vinda da tal festa onde acontece uma performance com uma imagem que fazia corar qualquer festansa que tenham visto neste jardim à beira mar plantado. A mesma música foi a banda sonora de um teatro algo satânico com faustos, uma mistura de histórias dos três porquinhos, capuchinho vermelho e lobo mau, passando por referências a Anubis o Deus da morte dos Egípcios. Esta harmonia surreal entre um cenário e outro é surpreendente. A nossa estrela, Buck Angel, brilha nos dois lados, entre guarda roupas brilhantes, e a exibição da sua vagina, Buck é a "star".
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22/9/2008 15:06
Queer Lisboa 12 - Dia 2
RESUMOS DO DIA - Pode conter SPOILERS!A Soma dos Dias
+info em QueerLisboa.org
Um filme muito inteligente, com planos limpos, um guião simples e objectivo, com uma história de vida que embora tenha sido ficcionada, mereceu uma grande ovação do público presente na sala.
Fazendo parte do conjunto do programa de curtas com o nome"Heiko", destaca-se "A Soma dos Dias". Morreu o filho barão, e o pai sente-se culpado, entrando numa depressão que não o deixa sair de casa, ficando preso à televisao e a frequentes visitas ao quarto do filho. Numa conversa entre marido e mulher, confessa o seu sentimento de culpa, dizendo que o filho morreu devido ao seu vício. Ele tinha pedido ao filho para ir comprar tabaco, tendo sido atropelado nessa altura. Nas suas visitas ao quarto vai desvendando as caixas e coisas do filho, numa dessas incursões, estava a ver umas fotos do filho com a irmã, e um amigo, mas o amigo aparece repetidamente nas fotos, até que surge uma foto em que os dois, o filho e o amigo, surgem juntos de tronco nú. O pai não entende e pergunta num acesso de raiva à filha e à mae que lhe expliquem o que quer dizer aquilo e quem é aquele jovem... sentindo-se posto de lado uma vez que ambas as mulheres da casa sabiam da homossexualidade do filho falecido. A distância que vivera enquanto o filho era vivo, estava ali mais visível que nunca depois de morto. A mãe que não conhecia o "viúvo" pede á filha que o traga a casa, para poder falar com ele, e saber como se conhceram, e se foram felizes enquanto estiveram juntos. O pai rejeita a ideia, arruma o quarto do filho encaixotando todo o seu conteúdo, tentando talvez apagar a imagem do que havia descoberto. Mas o amor paterno ultrapassou toda a raiva, e a possível decepção, ou mesmo a consciância de que nunca estava perto do seu filho. E por isso no meio da noite volta ao quarto do filho para chorar a sua morte, tal qual como ele era.
A Jihad for Love
+info em QueerLisboa.org
Um documentário de a realidade brutal que é ser-se homossexual num país fundamentalista islâmico. Neste trabalho pode-se observar a vida de alguns mulçumanos crentes na sua fé, que juntos num posto de acolhimento, aguardam uma resposta positiva por parte de Istambul para asilo. Vemos um Iman que prega a fé do islão em África do Sul e faz o seu outing num programa de rádio, vendo as suas proprias filhas a condená-lo. Mas mantém os seus fiéis. Mas talvez a imagem mais conhecida seja um dos condenados da rusga feita no Egipto ao Bar "Love Boat". Hoje este jovem está exilado em França e tem a sua vida organizada em Paris, contudo já não vê os seus familiares desde 2002. Jihad tantas vezes associado a ataques terroristas, tem apenas um significado: "a luta do individuo para resistir no caminho de Deus", os homossexuais presentes neste decumentario não renegaram a sua fé, mas aqueles que a representam a fé negam a estes homossexuais o seu direito à vida.
Fatucha Superstar
+info em QueerLisboa.org
Presente na sala estava Domingos Oliveira, um dos actores que confessou que este filme só ter sido possí vel graças ao limbo que se vivia em 1976, onde ainda não se sabia muito bem o que a liberdade recentemente conquistada, permitia fazer ou não. Contudo foi polémico e levou a ICAR a vários protestos, fazendo mesmo uma conferencia de imprensa sobre o filme, nesta conferência estiveram presentes três dos actores, que ninguem reconheceu.
De 1976 para 2008, "Fatucha Superstar" é uma satira a todo brilho, diga-se essencialmente comercial, que envolve Nossa Senhora de Fátima. João Paulo Ferreira, trás logo após o 25 de Abril de 1974, um filme polémico, inteligente, muito gay, transformando a Nª Srª Fátima numa travesti, adorada por todos, e que todos compram a sua imagem e tudo ao que ela está ligado. E passado 32 anos não poderia estar mais actual.
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21/9/2008 17:25
Queer Lisboa 12 - Dia 1
Sala Cheia no S. JorgeFoi na passada sexta-feira que o Cinema S. Jorge abriu as suas portas para receber a 12ª edição do QueerLisboa. Talvez para espanto de muitos (e da próprioa organização) os convivas chegaram a horas e quando as portas da sala se abriram já aguardava no átrio espectadores suficientes para encher sala, coisa rara no país do "é só mais um bocadinho".
E assim os 848 lugares do S. Jorge estavam de repletos, enchendo a organização e o presidente da Associação Janela Indiscreta de orgulho. Foi Janie La Rue que deu as boas vindas e chamou ao palco João Ferreira e Albino Cunha, da organização e presidente da Associação Janela Indiscreta respectivamente, que numa voz a acusar alguma excitação pelo momento, agradeceram repetidamente o facto de todos e todas estarmos ali!
Compreende-se tal excitação, pois com a sala um do S.Jorge cheia, aumenta a responsabilidade deste evento, mas é acima de tudo a maior prova de que o "filho" de Celso Junior está bem crescido, e com o seu rumo muito bem traçado, sabendo para onde vai, com a consciência de onde vem. O filme de abertura, uma longa metragem de Juan Flahn, com o titulo "Chuecatown", foi sem dúvida uma excelente escolha. Um policial divertido, que a sala correspondeu com muitos risos. Parabens por isso á organização de mais um QueerLisboa.
RESUMOS DO DIA - Pode conter SPOILERS!Barcelona um mapa
+info em QueerLisboa.org
Uma história de cumplicidades escondidas, de incestos consentidos num amor que ultrapassa o existente entre um pai e uma filha. Uma filha feita mulher que chama o filho de irmão e um marido que não expressas os seus sentimentos e os seus sentidos, mas na hora de partir quer morrer na casa que sempre foi sua. Iniciam ele e ela um desfolhar de confissões, daquilo que foi feito, daquilo que se é capaz de fazer, daquilo que gostaria de ter feito.
!!!Todas!!!
+info em QueerLisboa.org
Faz parte de um grupo de curtas com o mesmo nome, TODAS é uma mostra de várias histórias reais da vida dos transexuais profissonais do sexo, em Madrid, Espanha. Uma imagem real demais, e completamente comparável à realidade Portuguesa. TODAS recordou-me o sofrimento que foi a morte de Gisberta Salce Junior, embora nesta película ninguém morra, mas sofrem os maus tratos de uma sociedade desinformada e frustrada nas suas vivencias, mas acima de tudo na sua sexualidade.
Puente
+info em QueerLisboa.org
Do mesmo ciclo de !!!Todas!!! a Puente, é a vida levada muitas vezes ao limite. Numa sociedade que ainda não protege os seus nomeadamente no que diz respeito á saude, a história de um homem homossexual infectado com o VIH que tenta de alguma forma seguir com a sua vida, tendo em conta o seu amor pelo seu companheiro. Embora o segundo não saiba da infecção do seu amado, o nosso heroi desesperado acaba por revelar a sua condição, levando o seu companheiro para longe num turbilhão de pensamentos. Mas como em qualquer conto de amor, este sentimento fala mais alto e volta aos braços do seu amado, dizendo que quer viver tudo com ele.
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03/9/2008 12:57
Herança e União de Facto
Pergunta:
Embora ter efectuado uma pesquisa extenuante sobre a matéria de União de Facto entre casais homosexuais, não encontrei nada que esclarecesse a minha dúvida que passo a apresentar: tenho uma relação de 6 anos com o meu parceiro.
Neste momento procuramos casa. Contudo, embora estejamos muito bem de saude
o futuro é sempre uma icógnita.
O receio de que possamos lutar e trabalhar para construir o nosso lar, para que na eventualidade de um de nós falecermos, não ter-mos direito de herança à casa que está em ambos os nossos nomes para que uma parte possa ser atribuida aos "ascendentes" do parceiro falecido, provoca-me uma inquietação tremenda.
A minha questão é mesma esta: o que poderá acontecer à casa que foi adquirida e está a ser paga pelo casal homosexual na eventualidade de um deles falecer?
Uma parte fica para o parceiro sobrevivente e uma quaota parte é distribuida pelos ascentes do parceiro falecido?
Agradeço qualquer resposta concreta sobre este assunto.
Obrigado.
Resposta:
A lei de União de Facto é nula para efeitos de Herança.
Se comprarem a casa a meias (50/50) e um falecer há duas situações:
1. Se não fizerem testamentos "cruzados", o sobrevivo terá de pagar 50% da casa aos herdeiros legitimários. Se não houver herdeiros legitimários 50% da casa é do Estado.
2. Se fizerem testamentos "cruzados", o sobrevivo terá de pagar entre 33% a 66% da casa aos "herdeiros legitimários". Este valor varia conforme os herdeiros seja pais, filhos, irmãos, etc (Código Civil arts. 2158º a 2161º - 2157º).
Valor para os herdeiros legitimários:
Cônjugue sozinho - 50%
Um só filho - 50%
Conjugue + filhos - 66%
Conjugue + ascendentes - 66%
Dois ou mais filhos - 66%
Só os pais - 50%
Só avós e seguintes - 33%
No caso de familiares mais afastados os herdeiros legitimários só se aplicam até ao 4º grau, inclusivé.
No caso de haver familiares vivos até ao 4º grau, não há forma de "escapar" a esta situação excepto, eventualmente, com criação de sociedades comerciais e outras soluções legais complexas.
Note-se que, no entanto, no caso de separação, a situação é semelhante em termos de custos relativamente aos casados. O que ficar com a casa terá de pagar 50% à outra parte. Se a casa não for de "habitação própria permanente" terá também de pagar impostos respectivos (IMT).
Filipe Paulo
Este texto é meramente informativo e não dispensa a consulta a um profissional antes de qualquer tomada de decisão por parte dos interessados.
Etiquetas: Famílias
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11/7/2008 17:15
O que eu desejo
O que eu quero é que todos os que se desejam e amam possam dar as mãos,
beijar-se, andar de braço dado, fazer festas e cafuné e o mais que lhes
aprouver por mútuo consentimento sem terem de esconder-se. Porque o desejo
faz desejar mais, o amor faz amar mais. Porque quem ama deseja mostrá-lo e
essa é a mais bela das bandeiras.
O que eu quero é que se acabe de uma vez por todas com a ideia de que só um
casal legitimado pelo casamento pode acompanhar o crescimento de uma
criança, transmitir-lhe a vontade de pensar e conhecer, acarinhá-la e
encorajá-la a ser livre. As crianças não pertencem aos progenitores, elas
são de si mesmas e do mundo. Se é verdade que as crianças são dependentes,
os adultos não o são menos e a consciência dessa dependência que liga os
humanos é uma boa base para uma conversa sobre mudar o mundo e romper com as
formas, evidentes ou perversas, de escravidão.
O que eu quero é que as mães e os pais deixem de temer as escolhas de
orientação sexual dos seus filhos.
O que eu quero é que os filhos deixem de sofrer a opressão da norma quando
se debatem com as exigências do amor.
Claro que quero muitas outras coisas e todos os dias luto comigo mesma para
as definir na minha cabeça. Mas estas que eu acabei de formular QUERO MESMO.
Já.
Regina Guimarãeswww.orgulhoporto.orgwww.portopride.org
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23/5/2008 19:10
Novo logotipo no site.
Passados 7 anos, achamos que era altura de mudar de imagem.
Espero que gostem,
João Paulo

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