Assumir-me? (PortugalGay.pt)
Pesquisa:
 
Parceiro PortugalGay
Apoio

Assumir-me?

Assumir-se



A etapa seguinte envolve vir a público de alguma forma assumir-se. A quem dizes a seguir depende realmente apenas de ti. Podes decidir dizer ao teu melhor amigo ou a um membro da tua família.

Lembra-te que uma vez que contes a alguém acerca da tua sexualidade isso pode-se tornar conhecido num curto espaço de tempo. Isto faz parte da natureza humana e há muito pouco que possas para o impedir. Se estiveres decidido a lidar com qualquer reacções negativas que esta revelação possa trazer estarás suficientemente preparado para ela.

Porquê assumir-me?



Esta é a pergunta mais importante a fazeres a ti próprio. Se responderes qualquer coisa como: "Porque me orgulho de ser quem sou" ou "É-me impossível ser um ser humano plenamente feliz se a minha sexualidade permanecer suprimida" ou "Quero conhecer outros homossexuais" então estas são boas razões. Pensa com muito cuidado se a tua razão for magoar ou chocar pessoas. Frequentemente quem acabará magoado serás tu.

A quem deverei contar?



Muitos homossexuais descrevem como é importante contar primeiro a alguém exterior à família. Certifica-te que seja alguém que acredites que tenha uma mentalidade aberta e que seja encorajadora. Tem cuidado se decidires confidenciar com um professor na escola - eles podem ser obrigados a contar a outra pessoa o que lhes contaste. Tenta investigar antecipadamente qual a política da escola em relação à confidencialidade antes de prosseguires.

Se decidiste contar à tua família poderá ser mais fácil contar a um dos pais antes do outro. Poderás então pedir-lhe ajuda para abordar o outro. Por vezes os irmão e irmãs são um bom ponto de partida já que é provável que eles compreendam melhor a homossexualidade ou bissexualidade. Uma das razões para te assumires perante a tua família é tornares-te mais próximo deles.

Há um certo número de respostas típicas que se sabe que os pais, em particular, dão: "Como é que podes ter a certeza?", "Eu passei por uma fase dessas na tua idade", "Isso vai-te passar com a idade", "Não te esforçaste a sério com o sexo oposto" e "Como é que na tua idade podes saber?".

Tentámos listá-las aqui porque elas podem ajudar-te a pensar nas respostas que lhes hás de dar. Poderá ser-te útil discutir estas questões primeiro com um amigo de confiança ou com uma linha de apoio sobre a sexualidade. Consulta a página de informações adicionais para mais detalhes.

Apoia a tua família



Este momento pode ser traumático para alguns membros da tua família. Poderás sentir-te incapaz de responder a todas as suas questões ou lidar com todos os assuntos que lhes surgem. Eles, em contrapartida, podem não se sentir à vontade em falar sobre homossexualidade ou bissexualidade contigo. Neste momento ainda não existem, em Portugal, organizações que dão apoio específico a pais que se estão a ajustar à sexualidade dos seus filhos embora possas recorrer a alguma das organizações na página de informações adicionais para apoio genérico.

Esta pode ser uma época difícil se a tua felicidade está dependente num determinado grau da reacção da tua família. Se este é o teu caso aconselhamos-te a discutir a questão primeiro com alguém que já tenha passado pelas situação ou talvez com uma linha de apoio.

Como lhes deverei contar?



Não há nenhuma regra que diga que tens que te sentar e falar com os outros sobre isto, há outras formas.

Podes querer escrever-lhes primeiro (ou enviar um e-mail, se aplicável) e dar-lhes tempo para reagirem da sua própria forma. Esta é, talvez, a melhor aproximação se, por exemplo, vives bastante longe da tua família ou amigos. Lembra-te que tu próprio levaste, provavelmente, bastante tempo a habituares-te à ideia e que os outros poderão precisar de tanto tempo como tu. Escrever uma carta permite-te demorares o tempo que aches necessário e compor os teus pensamentos de uma forma cuidada e clara. Uma carta pode também dar à pessoa a quem escreves o espaço para reagir e pensar nas notícias antes de as discutir contigo. Esta pode ser uma aproximação útil se estás à espera de uma reacção hostil ou negativa.

Se te decidires por falar cara a cara, lembra-te de não o apressar ou fazê-lo quando um de vocês está com pressa ou distraído. Provavelmente também não será de grande utilidade decorares um discurso - é quase garantido que algumas pessoas não reagem de uma forma previzível. Se estás preocupado com a reacção deles conta-lhes dos teus receios e diz-lhes que não os queres magoar mas precisas de ser honesto com eles. Não te esqueças de ouvir o que eles tiverem para te dizer - isto deverá ser mais ou menos uma conversa, não um discurso!

Quando é que lhes deverei contar?



Quando chega a altura de te assumires, a escolha da altura certa é uma consideração importante. Escolhe o momento cuidadosamente - fá-lo quando (tu e eles) tiverem muito tempo - não mesmo ao fim do dia quando é provável que estejas mais cansado e emocional.

Pensa sobre o que estás a sentir e não te preocupes muito os nervos que são perfeitamente normais nestas circunstâncias, não o faças se te sentes zangado ou emocionalmente sensível - isso afectará o que dizes e como o dizes. Por razões óbvias não o digas quando estiveres bêbado (mesmo que penses que precisas de uma bebida para acalmares os nervos).

E lembra-te - só quando estiveres bem e pronto. Um amigo disse uma vez que sabia que estava pronto para contar à família quando se apercebeu que, se precisasse, poderia viver sem o seu apoio. Felizmente para ele (e para a sua família) isso não foi necessário.

Consequências e reacções



Finalmente contaste a alguém. Ou estás a baloiçar à beira de um precepício ou a dar pulos de alegria (ou ambos !). Algumas pessoas descrevem a sensação como se lhes tivesse sido tirado um enorme peso dos ombros ou sentir-se eufórico e contente e como se fossem outra vez crianças.

Não te sintas culpado com isso - avança e aprecia o momento, tu mereces. A excitação de revelar algo que se mantinha em segredo há muito tempo pode ser um tremendo alívio.

Usa sabiamente esta energia recém-descoberta e lembra-te que os amigos chegados e a família podem preocupar-se que tenhas ficado irreconhecível. Assegura-lhes que mudaste - e para melhor e que estás apenas a explorar novo tu, mais completo.

A maioria das pessoas terá muitas reacções positivas. Por exemplo, "Estamos muito contentes que nos tenhas contado" ou "Nós já tínhamos adivinhado e estávamos só à espera que nos dissesses alguma coisa". Alguns homossexuais depararam também com a resposta "Eu também sou".

"Os meus pais recusaram-se a falar do assunto. Eles puseram a questão de lado e disseram que não queriam que se levantasse os assunto outra vez. Eu decidi que iria continuar a levar a minha vida como homossexual. Deixei de ir a casa tão frequentemente como costumava e de ir às reuniões de família. Só agora, três anos mais tarde, é que eles começaram a aproximar o assunto comigo."

Se nem tudo correu pelo melhor não percas a esperança. O tempo cura muitas feridas e as coisas vão melhorar. Se estás a ser rejeitado por um amigo chegado pergunta a ti próprio se ele era realmente tão chegado que não te pôde dar apoio nesta situação. Se a tua família está a reagir mal isto é, com toda a probabilidade, normal. Eles podem estar a sentir toda uma gama de emoções incluindo choque, mágoa, culpa, responsabilidade, desapontamento e muita dor.

"A minha família diz que aceitam que eu seja homossexual mas que não me querem ver ser carinhoso com outro homem. Dizem que não serão capazes de aguentar isso."

Lembra-te quanto tempo levou para que tu ficasses à vontade com o seres homossexual. Muitos pais sentem uma certa perda - talvez de futuros netos ou casamentos ou outras reuniões de família. Isto pode manchar a felicidade deles e o seu amor por ti.

"Recentemente estive num casamento e estavam lá todos com os seus parceiros. Eu estava aborrecido por não poder ter trazido o meu. Todos faziam as perguntas do costume sobre namoradas e eu tinha que ir sorrindo e dando desculpas. Eu não queria armar discussão com a minha família acerca disto mas não é justo."

No fim do dia os teus pais continuam a ser os teus pais e, com tempo, poucos rejeitam os filhos por estes serem homossexuais.

"O meu pai disse 'Ainda és o meu filho e tenho orgulho em ti.' ele tinha sido muito homofóbico até então."

Se eles ficarem muito calados dá-lhes tempo para reagirem e oportunidade para pensarem sobre o que lhes contaste. Se eles fizerem muitas perguntas é bom sinal. Pode ajudar considerares como sendo do teu interesse responder-lhes - é provável que sejam as mesmas perguntas que fizeste a ti próprio ao longo do caminho.

Se as coisas estiverem a correr tão mal que te apetece desistir do processo de te assumires, é importante que fales a alguém acerca dos teus receios e preocupações. Mais uma vez existem organizações que podem oferecer-te apoio e orientação.

É provavelmente melhor aguentares-te e continuar já que chegaste a este ponto e, em muitas aspectos, seria difícil ou impossível voltar atrás. A próxima pessoa a quem contares dar-te-á provavelmente um grande abraço e dir-te-á que está aliviada por teres tido coragem pare lhes dizer e que há muito que suspeitava que andavas com qualquer coisa na cabeça.

Assumires-te no emprego



Há algumas circunstâncias em que assumires-te no trabalho pode afectar gravemente a tua segurança profissional e hipóteses de promoção. Nalgumas circunstâncias ser-se abertamente homossexual pode entrar em conflito com as regras do empregador, por exemplo nas forças armadas em alguns países, ou pode levar a uma rejeição por parte de clientes de um dado serviço, esta segunda situação pode ser mais delicada no caso de empregos de orientação e educação relacionados com jovens e crianças.

No entanto há muitos casos de homossexuais a trabalhar com crianças sem problemas nas mais diversas áreas desde a educação ao desporto. Muitas vezes é uma questão de conhecermos os nossos direitos e fazer valer a nossa posição claramente e não deixar dúvidas sobre a capacidade de realizar as tarefas e eliminar à partida qualquer revelação de preconceito.

Forças armadas



    Em alguns países existem artigos específicos que permitem a expulsão de um indíviduo das Forças armadas devido à sua orientação sexual. Na prática é reconhecida a (óbvia) existência de homossexuais nas fileiras pelas chefias tendo no entanto posições diversas sobre o assunto indo desde a aceitação total ao desprezo absoluto. A verdade é que a partir do momento em que passaram a ser aceites a participação de mulheres nas forças armadas grande parte dos argumentos contra os homossexuais deixaram de ter sentido, se bem que aqui ainda haja um grande caminho a percorrer.

    Em Portugal teoricamente não é permitida a discriminação por orientação sexual nas Forças Armadas e há vários militares no ativo que são abertamente LGB. No entanto não temos conhecimento de nenhuma situação de uma pessoa trans e desconhecemos de que forma seria recebida pelas fileiras.

Contar ao teu médico



Vale a pena referir também que se revelares a tua sexualidade ao teu médico, ele pode tomar nota destes detalhes na tua ficha médica e que exitem várias pessoas ou entidades que podem ter acesso a estes registos para diferentes fins, no entanto o facto dele estar a par pode facilitar a tua comunicação com ele em questões relacionadas com sexo (doenças sexualmente transmissíveis).
 

Assumir-me?

© 1996-2017 PortugalGay®.pt - Todos os direitos reservados
A Sua Opinião
Tem alguma sugestão ou comentário a esta página?
Publicar a pergunta e resposta no Facebook PortugalGay.pt.

Nota: reservamos-nos o direito de selecionar e/ou ajustar as perguntas publicadas.

Não é um robot

Por favor marque as caixas UM e TRÊS.
Depois clique em OK.

© 1996-2017 PortugalGay®.pt - Todos os direitos reservados
Portugal Gay | Portugal LGBT Pride | Casamento Civil para Todas as Famílias | Queer Lisboa | Jovem Gay | Portugal LGBT Guide | Mr Gay Portugal